AFP
O Exército de Israel anunciou nesta quinta-feira (6) que iniciou uma nova série de bombardeios no sul do Líbano contra o que afirma serem “alvos militares do Hezbollah“, que por sua vez defendeu seu “direito de defesa” e rejeitou qualquer diálogo político com Tel Aviv.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que ao menos uma pessoa morreu em um bombardeio no sul do país, enquanto o Exército israelense anunciou ter atacado membros da unidade de reconstrução do Hezbollah.
Local de ataque aéreo de Israel na vila libanesa de Tayr Debba – Mahmoud Zayyat – 6.nov.25/AFP
A Agência Nacional de Informação (NNA, na sigla em inglês) relatou ataques em Aita al-Jabal, al-Taybeh e Tayr Debba, e informou que drones sobrevoaram Beirute, a capital libanesa.
Simultaneamente à guerra de Gaza iniciada em outubro de 2023, o grupo xiita pró-irã e Israel travaram um conflito que se intensificou em setembro de 2024, quando o Exército israelense bombardeou centenas de alvos no Líbano e matou, entre outros, o histórico líder da milícia, Hassan Nasrallah.
Apesar do cessar-fogo que, em novembro de 2024, encerrou o confronto, os militares israelenses continuam realizando ataques regulares e mantêm tropas em cinco pontos no sul do libanês.
Em outubro de 2025, a ONU afirmou que pelo menos 103 civis já foram mortos no Líbano desde que o cessar-fogo entrou em vigor. A Força Interina das Nações Unidas no país chegou a anunciar que o Exército israelense lançou granadas perto de suas forças de paz e instou Tel Aviv a interromper tais ataques.
Historicamente, o Exército libanês tem permanecido à margem dos conflitos com Israel. No dia 30, no entanto, o presidente Joseph Aoun ordenou no dia 30 que seu Exército reagisse a qualquer incursão no sul do país. A diretriz foi uma resposta à ação de militares israelenses que cruzaram a fronteira durante a noite e mataramum funcionário municipal na sede da prefeitura da cidade de Blida.
Após a ordem de Aoun, aviões de guerra israelenses sobrevoaram o palácio presidencial em Beirute e um enviado dos Estados Unidos pressionou o Líbano a iniciar negociações diretas com Israel.
Em resposta, o Hezbollah afirmou ser contra “qualquer negociação política com Israel”, país com o qual o Líbano segue tecnicamente em estado de guerra, e estimou que tal negociação não serviria “ao interesse nacional”.
Em “carta aberta” dirigida ao povo e aos dirigentes libaneses, reafirmou seu “direito legítimo” de se defender “de um inimigo que impõe a guerra ao nosso país e não cessa suas agressões”.
Como parte do cessar-fogo, que o Hezbollah diz respeitar, o governo de Beirute ordenou ao Exército que organizasse um plano para desarmar o movimento xiita.
O comunicado do Hezbollah denuncia “a precipitada decisão do governo” de desarmá-lo e afirma que Israel “aproveitou” esta decisão “para impor” o desarmamento da milícia em todo o território libanês “como condição para cessar as hostilidades, o que é inaceitável”.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusa o presidente libanês, Joseph Aoun, de “procrastinar” em relação a esse plano e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu diz que o Hezbollah tenta “rearmar-se”.
A porta-voz do governo israelense, Sosh Bedrosian, declarou nesta quinta-feira (6) que Israel tomará medidas para garantir o respeito ao cessar-fogo no sul do Líbano. “Israel continuará defendendo todas as suas fronteiras e seguimos insistindo na plena aplicação do acordo de cessar-fogo. Não permitiremos que o Hezbollah se reconstrua”, disse aos jornalistas.
Veículo: Folha Uol











