Guilherme Botacini
Brasília
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, renunciou ao cargo, segundo a imprensa local afirmou nesta quarta-feira (22). O chanceler vinha sendo alvo de críticas dos apoiadores de Javier Milei às vésperas das eleições legislativas no país à qual o governo chega desgastado por escândalos envolvendo aliados do presidente.
Ainda segundo a imprensa argentina, Werthein deve ficar no cargo até a segunda-feira (27), dia seguinte ao pleito. Se confirmada, a saída do chanceler ocorrerá poucos dias antes de ele completar um ano no cargo e em um momento de grande fragilidade política do governo, derrotado no pleito da província de Buenos Aires no início de setembro.
Milei e seu gabinete queriam que a reunião com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, na semana passada, pudesse beneficiar a campanha pelas eleições legislativas argentinas, no próximo domingo (26), especialmente após um escândalo envolvendo um de seus principais candidatos, José Luis Espert, que renunciou à candidatura.
O ministro da Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, durante cerimônica no Rio de Janeiro, em setembro – Pilar Olivares – 16.set.25/Reuters
O saldo, no entanto, não foi positivo, com declaração de Trump de que, se a oposição a Milei vencesse, deixaria de apoiar a Argentina. Apoiadores do ultraliberal passaram a aumentar as críticas a Werthein após o episódio.
Militante do mileísmo nas redes sociais, o apresentador de um canal de streaming Daniel Parisini disse que Trump tinha confundido as eleições e atribuiu a Werthein o resultado negativo da reunião. “Donald acha que as próximas eleições argentinas são as eleições presidenciais”, disse ele. “Se ao menos tivéssemos um ministro das Relações Exteriores, as coisas teriam sido diferentes.”
O presidente argentino tem buscado socorro do aliado americano nos últimos dias também diante da situação econômica volátil do país, que se soma aos problemas políticos recentes.
Lá Fora
Na tentativa de conter a fuga de pesos do país antes da eleição, o banco central do país fechou acordo de US$ 20 milhões com o Departamento do Tesouro dos EUA para estabilização do câmbio.
Se confirmada a demissão de Werthein, este será o segundo chanceler fora do governo Milei em quase dois anos de governo. O atual titular ascendeu ao cargo no fim de 2024, após a demissão da então chanceler Diana Mondino, que estava no governo desde o início da gestão de Milei.
Mondino era uma ministra de grande projeção no início do governo do ultraliberal, na ocasião ainda pouco desgastado pelos escândalos que arranharam a gestão principalmente a partir de 2025.
A então chanceler foi demitida em meio a clima de caça às bruxas na diplomacia argentina. Milei cobrava comprometimento integral às suas posições, entre elas a oposição a tudo que tem relação com a Agenda 2030 da ONU.
No fim de outubro do ano passado, já em meio ao desgaste, a delegação argentina na ONU votou contra o embargo a Cuba —vista como a gota d’água para Milei, que forçou a renúncia de Mondino.
Segundo o jornal La Nacion, entre os cinco nomes especulados para assumir o lugar de Werthein está o chefe de gabinete do governo, Guillermo Francos, e o cônsul argentino em São Paulo, Luis María Kreckler, que também já foi embaixador em Brasília. Outros nomes cotados são o de Nahuel Sotelo e Úrsula Basset, dois nomes da chancelaria que haviam perdido espaço com a chegada de Werthein.
Veículo: Folha Uol











