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Militares anunciam que ficarão no poder por 2 anos em Madagascar

Antananarivo (Madagascar) | Reuters

Um coronel do Exército de Madagascar anunciou nesta terça-feira (14), em cadeia nacional de rádio, que os militares assumiram o governo de Madagascar. “Tomamos o poder”, afirmou Michael Randrianirina. Segundo ele, todas as instituições estão dissolvidas, exceto a Assembleia Nacional, que pouco antes havia aprovado, por 130 votos a favor e 1 abstenção, o impeachment de Andry Rajoelina, o presidente que deixou o país após uma onda de protestos nas ruas.

Os militares, que fazem parte da Capsat, unidade de elite que havia ajudado Rajoelina a tomar o poder em um golpe em 2009, dizem que ficarão no poder por um período de transição de dois anos. A Presidência do país condenou o anúncio da força militar de que tomou o poder e afirmou que Rajoelina segue no cargo.


Coronel Michael Randrianirina (centro) anuncia, ao lado de outros membros das Forças Armadas, a tomada de poder dos militares em Madagascar na frente do palácio presidencial, na capital Antananarivo – Luis Tato/AFP

“A presença de forças armadas militares em frente ao palácio presidencial constitui um ato claro de tentativa de golpe de Estado”, disse a Presidência em comunicado após o anúncio do coronel.

A votação no Legislativo que depôs Rajoelina ocorreu horas depois do presidente ter divulgado pelo Facebook um decreto determinando a dissolução da Assembleia, ampliando oimpasse com manifestantes e setores das Forças Armadas que o forçaram a fugir.

Outro alvo da ira popular, o presidente do Senado, Richard Ravalomanana, também havia sido destituído, e Jean André Ndremanjary fora nomeado interinamente. Na ausência do chefe de Estado, o líder do Senado assumiria o cargo até a realização de novas eleições. Agora no poder, as Forças Armadas ainda não disseram quando pretendem convocar pleito.

A Presidência disse mais cedo que a sessão do impeachment era inconstitucional e que qualquer decisão advinda da Assembleia seria nula por causa da dissolução, cuja validade já era contestada pela oposição.

O decreto de dissolução do Parlamento entraria em vigor “imediatamente após sua publicação e transmissão por rádio e/ou televisão”, indicou a Presidência no Facebook.

Pessoa de costas com cabelo longo e suéter cinza assiste a homem de terno e gravata em videoconferência no tablet sobre mesa de madeira. Fundo inclui quadros coloridos e objetos pessoais.

Residente de Antananarivo assiste a discurso de Andry Rajoelina no Facebook, em Madagascar – Rijasolo – 13.out.25/AFP

No decreto, Rajoelina afirmava que havia consultado os líderes da Assembleia e do Senado antes da dissolução. Eles negam.

Em discurso transmitido de local não revelado na segunda-feira, Rajoelina havia se recusado a renunciar, apesar da pressão dos protestos da Geração Z. Em sua primeira aparição pública desde que um contingente militar aderiu aos protestos, pediu que a Constituição fosse respeitada.

Em outra publicação nas redes sociais, ele defendeu a dissolução do Parlamento como uma forma de “restabelecer a ordem no seio de nossa nação e reforçar a democracia”.

Os protestos começaram por causa de cortes no abastecimento de água e energia elétrica, mas aos poucos passaram a incluir denúncias de corrupção, críticas a líderes políticos e reclamações pela falta de oportunidades no país.

Lá Fora

Pelo menos 22 pessoas morreram em confrontos com forças de segurança desde 25 de setembro, segundo a ONU.

Rajoelina estava cada vez mais isolado. Ele perdeu o apoio da Capsat, e a unidade juntou-se aos manifestantes no fim de semana, afirmando que se recusava a atirar contra eles, e chegou a escoltar milhares na praça central da capital, Antananarivo.

A Capsat declarou então que assumiria o comando das Forças Armadas e nomeou um novo chefe do Exército, o que levou Rajoelina a alertar, no domingo, sobre uma tentativa de golpe na ilha.

Nesta segunda, uma facção da gendarmeria, força policial que remonta ao período colonial e apoia os protestos, também tomou o controle da instituição em uma cerimônia formal com a presença de altos funcionários do governo, segundo testemunha da Reuters.

“Todo uso da força e qualquer comportamento impróprio contra nosso povo estão proibidos. A gendarmeria é uma força destinada a proteger pessoas, não os interesses de alguns indivíduos”, afirmou a Força de Intervenção da Gendarmeria Nacional em comunicado transmitido pela Real TV.

Andry Rajoelina, então, fugiu do país argumentando nesta segunda-feira (13) que precisou se mudar para um lugar seguro para proteger a sua vida.

A saída marca a segunda vez em poucas semanas que jovens manifestantes derrubam um governo em meio a uma onda de revoltas da chamada geração Z pelo mundo.

Em setembro, protestos massivos no Nepal começaram a partir da proibição das redes sociais pelo governo e, após violência nas ruas e dezenas de mortes, terminaram com a renúncia do então primeiro-ministro.

Em seguida, a ex-chefe da Suprema Corte do país Sushila Karki foi nomeada governante interina com apoio dos manifestantes. O presidente do Nepal, então, dissolveu o Parlamento e marcou eleições para março de 2026.

Com Reuters e AFP

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/10/pelo-facebook-presidente-de-madagascar-dissolve-assembleia-nacional-apos-fugir-do-pais.shtml

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