Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se reunirá nesta segunda-feira (13) com líderes europeus e árabes em uma cúpula em Sharm el-Sheikh, no Egito, sobre o acordo de paz na Faixa de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, recusou o convite e ficará de fora.
O líder americano fez uma parada em Israel, onde discursou sobre o fim do conflito no Parlamento e foi ovacionado. Em seguida, por volta das 10h30 de Brasília, Trump embarcou rumo ao país árabe. Ele desembarcou cerca de uma hora depois e foi recebido pelo ditador do Egito, Abdel Fatah Al-Sisi.
Os dois vão presidir a cúpula desta segunda. Antes de dar início às tratativas, Trump afirmou que quer que o líder egípcio integre um conselho para governar Gaza. O americano agradeceu a Al-Sisi por ter desempenhado um papel “muito importante” no acordo de cessar-fogo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, antes da cúpula sobre paz em Gaza que será realizada em Sharm El-Sheikh – Evelyn Hockstein – 13.out.25/Reuters
Já o ditador elogiou a atuação do republicano: “Sempre estive muito confiante de que o senhor, apenas o senhor, seria capaz de alcançar essa conquista e encerrar a guerra”.
As agendas ocorrem no mesmo dia em que 20 reféns vivos dos ataques terroristas do Hamas foram libertados e que Tel Aviv soltou os quase 2.000 palestinos presos desde o início da guerra.
A cúpula receberá líderes como o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, compareceu como parte de um esforço dos líderes regionais para promover a participação da entidade na estabilização de Gaza. Trump cumprimentou o líder da entidade, que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada, com um aperto de mão. Os dois posaram para uma foto.

No mês passado, o líder americano barrou visto de Abbas para participar da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, obrigando o palestino a discursar por videoconferência.
O emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, também estão entre os líderes confirmados. Ambos os países ajudaram a intermediar o cessar-fogo entre Israel e Hamas que entrou em vigor na manhã da última sexta-feira (10).
Não há previsão de que representantes do Hamas participem.
O acordo de paz é baseado em um plano de 20 pontos proposto por Trump. Com a libertação dos reféns e dos prisioneiros, a cúpula discutirá as próximas fases do acordo. Os mediadores ainda enfrentam a difícil tarefa de garantir uma solução política de longo prazo e ainda precisam definir algumas questões delicadas que levaram ao fracasso de tentativas de paz anteriores.
O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, chegou à cúpula e disse estar “confiante” de que a conferência poderia levar ao fim da guerra em Gaza. Ele também acrescentou que a União Europeia continuará a aplicar sanções contra Israel para garantir que o cessar-fogo inicial seja mantido.
Além de discutir os próximos passos do plano de paz, o encontro é importante para que Trump leve em conta as preocupações dos países árabes da região.
O Egito, por exemplo, tem um papel chave pois o plano do republicano prevê a reabertura da fronteira de Gaza com o país para a entrada de ajuda humanitária e a saída de civis. Reuniões blaterais com países do Golfo, que devem liderar o financiamento da reconstrução do território palestino devastado pela guerra, também estão previstas.
Um dos principais impasses ao longo dos dois anos de guerra na Faixa de Gaza foi em relação ao desarmamento do Hamas. Netanyahu sempre afirmou que o objetivo do conflito era aniquilar o grupo terrorista, que por sua vez nega entregar as armas sem a criação de um Estado palestino.
Outras questões ainda em aberto são a governança de Gaza —a proposta de Trump é estabelecer uma autoridade de transição liderada por ele mesmo— e a reconstrução do território, devastado por bombardeios israelenses praticamente diários nesses dois anos.
Com Reuters
Veículo: Folha Uol











