Joshua McElwee
Cidade do Vaticano | Reuters
O papa Leão 14 disse nesta quarta-feira (8) a bispos dosEstados Unidos que eles deveriam se posicionar de modo firme sobre como os imigrantes estão sendo tratados pelas políticas rígidas do presidente Donald Trump, afirmaram participantes do encontro com o pontífice no Vaticano.
Primeiro americano a chefiar a Igreja, Leão 14 recebeu durante a reunião dezenas de cartas de imigrantes descrevendo seus temores de deportação sob Trump. A audiência reuniu bispos e assistentes sociais da fronteira entre EUA e México.
Papa Leão 14 em audiência na praça São Pedro – Andreas Solaro – 8.out.25/AFP
“Nosso Santo Padre está muito preocupado com essas questões”, disse à Reuters o bispo da fronteiriça El Paso (Texas), Mark Seitz, que participou do encontro. “Ele expressou o desejo de que a Conferência dos Bispos dos EUA se pronuncie fortemente sobre esse assunto.”
“Significa muito para todos nós saber do desejo pessoal dele de que continuemos a nos manifestar”, declarou Seitz. O Vaticano não se manifestou a respeito da audiência.
Uma das cartas entregues ao papa nesta quarta-feira, compartilhada com a Reuters, descrevia uma família com dois membros sem permissão legal para permanecer nos EUA e que tinham medo de sair de casa por receio de deportação.
“Acredito que o papa deveria se manifestar abertamente contra as operações e o tratamento injusto que a comunidade está sofrendo”, dizia a carta, escrita em espanhol, língua na qual Leão 14 é fluente por antes de ser eleito no conclave. Leão 14 também se encontrou, na noite de terça-feira (7), em caráter privado, com um grupo de cerca de cem católicos americanos envolvidos no trabalho pastoral com migrantes, agradecendo-lhes pelo trabalho. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Escolhido em maio para substituir o papa Francisco, Leão 14 tem demonstrado um estilo muito mais reservado do que o de seu predecessor, que criticava o governo Trump com frequência. O atual pontífice, porém, tem nas últimas semanas. Em 30 de setembro, ele criticou o que chamou de “tratamento desumano”dado a migrantesnos Estados Unidos e apontou a contradição entre se declarar pró-vida e apoiar tais medidas. A fala foi considerada sua contestação mais dura até o momento em relação às políticas migratórias de Trump e provocou forte reação de alguns católicos conservadores. Em resposta, a Casa Branca disse que Trump foi eleito com a plataforma de deportar imigrantes ilegais criminosos. “Ele está cumprindo sua promessa com o povo americano”, afirmou a porta-voz Abigail Jackson, em comunicado na ocasião. Veículo: Folha Uol











