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Reino Unido nomeia Sarah Mullally como primeira mulher a liderar Igreja Anglicana

Canterbury (Inglaterra) | Reuters

Sarah Mullally foi nomeada nesta sexta-feira (3) pelo Reino Unido como a nova arcebispa de Canterbury. É a primeira vez que uma mulher é nomeada líder da Igreja Anglicana nos 1.400 anos de história do cargo.

Mullally também se torna a líder cerimonial de cerca de 85 milhões de anglicanos em todo o mundo, em uma situação que arrisca aprofundar divisões teológicas com alguns dos ramos mais conservadores da igreja em nações africanas.

Reformas introduzidas há 11 anos tornaram possível que uma mulher ocupe o cargo, e ao ser nomeada como a 106ª arcebispa de Canterbury, Mullally se torna a líder feminina de uma das últimas áreas da vida pública britânica a ter sido liderada até então apenas por homens.


Sarah Mullally, a primeira mulher a liderar a Igreja Anglicana, observa a Catedral de São Paulo em Londres – Isabel Infantes/Reuters

Mullally, 63, é uma ex-enfermeira que trabalhou como chefe de enfermagem no início dos anos 2000. Ela defende a criação de uma cultura aberta e transparente nas igrejas que permita diferenças e discordâncias.

“Existem grandes semelhanças entre a enfermagem e ser sacerdote. Tudo se trata de pessoas, e estar com as pessoas durante os momentos mais difíceis de suas vidas”, disse a uma revista.

O gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou a decisão com o consentimento formal do rei Charles 3º.

Como monarca, Charles é o governador supremo da Igreja Anglicana, um papel estabelecido no século 16 quando o rei Henrique 8º rompeu com a Igreja Católica.

Lá Fora

A Igreja Anglicana está sem líder desde novembro passado, quando Justin Welby renunciou devido a um escândalo de acobertamento de abuso infantil.

Mullally disse na sexta-feira que se concentraria em melhorias na proteção de vítimas, afirmando: “Meu compromisso será garantir que continuemos a ouvir os sobreviventes [de abuso], cuidar dos vulneráveis e promover uma cultura de segurança e bem-estar para todos.”

Ela falou em seu discurso na catedral sobre as dificuldades de uma era que “anseia por certeza e tribalismo” e de um país que está lidando com questões morais e políticas complexas em torno da migração e comunidades que se sentem negligenciadas.

Ela também afirmou que queria que a Igreja enfrentasse o uso indevido de poder após escândalos de abuso sexual, e condenou o crescente antissemitismo após um ataque a uma sinagoga em Manchester nesta quinta-feira (2) que matou duas pessoas.

“Consciente da violência horrível do ataque de ontem a uma sinagoga em Manchester, estamos testemunhando um ódio que surge através das fraturas em nossas comunidades”, disse ela, acrescentando que era sua fé cristã que lhe dava esperança em um mundo que frequentemente parece “à beira do abismo”.

Bispa de Londres desde 2018, Mullally já defendeu anteriormente bênçãos para casais do mesmo sexo, uma importante fonte de discórdia na Comunhão Anglicana global.

Questionada pela Reuters em uma entrevista na sexta-feira sobre relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, Mullally disse que a Igreja Anglicana e a Comunhão Anglicana mais ampla há muito tempo lidam com questões difíceis. “Pode não ser resolvido rapidamente”, disse ela.

Mullally disse em um discurso na catedral de Canterbury nesta sexta-feira que buscaria ajudar cada ministério a florescer, “independentemente de nossa tradição”.

Ela afirmou que sua nomeação é uma “enorme responsabilidade”, que a tratará com um sentimento de paz e confiança em Deus.

“Ao responder ao chamado de Cristo para este novo ministério, faço-o com o mesmo espírito de serviço a Deus e aos outros que me motivou desde que encontrei a fé quando adolescente”, disse em um comunicado.

“Em cada etapa dessa jornada, através da minha carreira na enfermagem e do ministério cristão, aprendi a ouvir profundamente –as pessoas e o suave incentivo de Deus– para buscar unir as pessoas a fim de encontrar esperança e cura.”

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/10/reino-unido-nomeia-sarah-mullally-como-primeira-mulher-a-liderar-igreja-anglicana.shtml

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