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Ataque a ponto de ônibus deixa seis mortos em Jerusalém – 08/09/2025 – Mundo – Folha

Tel Aviv e Jerusalém | Reuters

Ao menos seis pessoas foram mortas em um atentado a tiros em um ponto de ônibus de Jerusalém nesta segunda-feira (8). Há 11 feridos, dos quais seis em estado grave. De acordo com a polícia de Israel, dois atiradores que praticaram o crime foram alvejados e mortos em seguida. Eles eram palestinos da Cisjordânia, segundo as autoridades.

O Hamas elogiou os criminosos, aos quais chamou de “combatentes da resistência”, mas não reivindicou a responsabilidade pelo atentado. O Jihad Islâmico, outro grupo terrorista palestino, também celebrou o atentado, sem assumi-lo.

Em resposta ao tiroteio, o ministro da Defesa, Israel Katz, prometeu revidar, ao dizer que “um poderoso furacão atingirá os céus da cidade de Gaza hoje”. Depois, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, foi ao local do ataque e disse que Israel está lutando uma “poderosa guerra contra o terror”.


Equipe de emergência durante resgate de vítimas após ataque em Jerusalém nesta segunda-feira (8) – Ronen Zvulun/REUTERS

Já o ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich, afirmou que a Autoridade Palestina, órgão reconhecido pela comunidade internacional que governa parcialmente a Cisjordânia, “cria e educa seus filhos para assassinar judeus” e que “deve desaparecer do mapa”.

A entidade emitiu uma nota afirmando que rejeita e condena “qualquer dano a civis palestinos e israelenses, e rejeita todas as formas de violência, independentemente de sua origem”. O comunicado chama a atenção pois a Autoridade Palestina tem evitado nos últimos anos comentar ataques realizados por palestinos.

O comunicado acrescenta que a concretização dos direitos do povo palestino em um Estado independente “é a única garantia para romper o ciclo de violência na região.”

Recentemente, Smotrich apresentou um planopara que Israel anexe 82% da Cisjordânia, em resposta ao plano de uma série de países ocidentais de reconhecer um Estado palestino. Na semana passada, o serviço de inteligência de Israel afirmou ter desfeito um plano do Hamas de matar Smotrich.

Os seis mortos na ação já foram identificados. São eles os israelenses Israel Matzner, 28, Yosef David, 43, Mordechai Steintzag, 79, Sarah Mendelson, 60, e Levi Yitzhak Pash, 57. A sexta vítima é Yaakov Pinto, 25, que nasceu na Espanha e migrou para Israel.

A polícia israelense informou que dois agressores chegaram de carro e abriram fogo contra o ponto de ônibus no trevo de Ramot por volta das 10h15 locais (4h15 de Brasília). Um segurança e um civil revidaram e mataram os atiradores. Com eles, estavam várias armas, munições e uma faca. Eles foram classificados como terroristas.

Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ouvir o barulho dos tiros vindos de perto de um ônibus, e dezenas de pessoas começam a correr em desespero entre os veículos na via, naquele momento congestionada. O trevo de Ramot é uma ligação viária em uma das chegadas de Jerusalém.

O trevo está localizado em uma parte da cidade que Israel capturou na guerra de 1967 e depois anexou, em uma ação que as Nações Unidas e a maioria dos países não reconhecem. Segundo a polícia, os dois atiradores palestinos viviam nas vilas de Al-Qubeiba e Qatanna, a oeste do local do atentado e bem próximas da Linha Verde, que demarca a fronteira entre Israel e a Cisjordânia. A mídia palestina disse depois que ambos viviam em Qatanna e os identificou como Mohammad Taha e Muthanna Amro.

Imagens da agência Reuters mostraram forte presença policial na área de Ramot após o tiroteio. O serviço de ambulância informou que um paramédico relatou que várias vítimas estavam caídas na rua e na calçada, algumas inconscientes.

O Exército israelense afirmou ter enviado soldados para a área e está auxiliando a polícia. Dois suspeitos já foram presos. Soldados também estavam operando em áreas de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, para conduzir interrogatórios e combater o terrorismo, afirmou a Força.

Imagens divulgadas nas redes mostram uma arma deixada na cena do crime que teria sido usada pelos atiradores, uma submetralhadora “Carlo”, geralmente montada de forma improvisada em oficinas ilegais na Cisjordânia e empregada em vários ataques palestinos anteriores. É uma referência ao rei sueco Carl Gustav, cujo nome foi emprestado ao armamento, que fazia parte do arsenal do Exército do país nórdico.

Em outubro de 2024, dois palestinos, um com uma arma de fogo e o outro com uma faca, mataram sete pessoas em Tel Aviv. Em novembro de 2023, dois homens armados palestinos mataram três pessoas em um ponto de ônibus em Jerusalém. Os serviços de segurança israelenses afirmaram que, em ambos os casos, os agressores eram ligados ao Hamas.

O ataque ocorre em meio a uma ofensiva de Tel Aviv para ocupar a Cidade de Gaza. No domingo (7), as Forças Armadas bombardearam mais um edifício no local, sendo o terceiro dia consecutivo em que este tipo de ataque acontece no maior centro urbano do território palestino.

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Nesta segunda, as Forças Armadas emitiram mais um alerta de evacuação para palestinos, afirmando que será realizado um novo ataque a outro prédio na capital de Gaza. Segundo Israel, esses locais são usados pelo Hamas.

O atentado desta segunda também se dá a menos de um mês de os ataques terroristas de 7 de Outubro, quando o Hamas invadiu Israel, dando início ao conflito, completarem 2 anos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o episódio, e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, descreveu o episódio como covarde.

Israel anunciou nesta segunda que proibiu a entrada a entrada da vice-primeira-ministra da Espanha, Yolanda Díaz, no país.

A decisão é uma resposta ao anúncio do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que apresentou uma série de medidas para “deter o genocídio em Gaza”, incluindo um embargo de armas a Israel e a proibição de que embarcações que transportem combustível para o Exército israelense atraquem em portos espanhóis.

O governo da Espanha é uma das vozes europeias mais críticas em relação à campanha militar em Gaza, que vive uma crise humanitária. Tel Aviv acusou o país europeu de conduzir uma “campanha anti-israelense e antissemita”. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha divulgou um comunicado rejeitando “categoricamente as falsas e caluniosas acusações de antissemitismo”.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/09/ataque-a-ponto-de-onibus-deixa-cinco-mortos-e-11-feridos-em-jerusalem.shtml

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