Washington | Reuters
Milhares de moradores de Washington D.C. foram às ruas neste sábado (6) para exigir que o presidente dos EUA, Donald Trump, encerre a mobilização federal da Guarda Nacional na capital do país.
Os manifestantes entoaram gritos contra o republicano e carregavam cartazes, alguns dos quais diziam “liberdade para D.C.” e “resista à tirania”. A marcha, chamada de “We Are All D.C.” (somos todos D.C.), também reuniu apoiadores da causa palestina e pessoas contra a política anti-imigração de Trump.
“Estou aqui para protestar contra a ocupação de D.C.”, disse Alex Laufer. “Estamos nos opondo ao regime autoritário e precisamos tirar a polícia federal e a Guarda Nacional das nossas ruas.”
Ato em Washington contra o envio de tropas nacionais à capital do país – Amid Farahi – 6.set.2025/AFP
Trump anunciou em 11 de agosto o envio dos soldados da Guarda Nacional à capital, sob o argumento de que o crime na cidade estava “fora de controle”. Dados recentes, no entanto, mostram que, apesar de um pico em 2023, os indicadores de violência têm caído e indicam tendência de queda nos últimos 30 anos.
Trump colocou o Departamento de Polícia Metropolitana de Washington sob controle federal direto e enviou agentes federais, incluindo membros do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), para policiar as ruas da cidade.
A prefeita de Washington, a democrata Muriel Bowser, chamou a ação de Trump de “sem precedentes”. É a primeira vez que um presidente interfere na cidade desde 1973, data de promulgação da Lei de Autonomia, quando a população da capital também passou a eleger prefeitos.
Diferentemente dos estados, onde os governadores têm capacidade para mobilizar tropas em autoridade conjunta com o governo federal, a Guarda Nacional na capital está sob o comando direto do presidente.
“O que eles estão tentando fazer em D.C. é o que tentam fazer em outras ditaduras,” disse um manifestante chamado Casey, que preferiu não revelar o sobrenome. “Eles estão testando em D.C., e se as pessoas tolerarem o suficiente, vão fazer isso em mais e mais áreas. Então precisamos impedir enquanto ainda podemos.”
Mais de 2.000 soldados estão patrulhando a cidade. O Exército estendeu nesta semana as ordens para a Guarda Nacional ficar em D.C. até 30 de novembro.
O procurador-geral da cidade de Washington, Brian Schwalb, afirmou na quinta-feira (4) que processou o governo Trump pela mobilização federal da Guarda Nacional.
A ação segue a Califórnia, que também entrou na Justiça contra a medida do presidente, argumentando que ele excedeu sua autoridade ao enviar as tropas —na terça (2), um juiz proibiu Trump de enviar as tropas ao estado da costa leste a partir da ação do governo californiano.
No mesmo dia, Trump disse que vai enviar tropas da Guarda Nacional também a Chicago, que chamou de “a cidade mais perigosa do mundo”. No véspera, milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o uso das forças federais em uma operação anti-imigração prevista para ocorrer ainda nesta semana.
Em entrevista coletiva na Casa Branca na quarta-feira (3), o presidente afirmou ainda que poderia enviar tropas para Nova Orleans. “Nós vamos talvez para Louisiana, onde você tem Nova Orleans, que tem um problema com crime. Nós vamos ajeitar isso em cerca de duas semanas”, disse.
Veículo: Folha Uol











