Presidente da Ucrânia surpreende ao indicar pela primeira vez que áreas ocupadas pela Rússia podem entrar nas conversas com Putin e Trump
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, admitiu neste domingo (17) que parte do território ocupado no leste do país pode ser usada como moeda de troca em um futuro acordo de paz com a Rússia. A fala representa a primeira vez que o líder ucraniano reconhece publicamente essa possibilidade desde o início da invasão em 2022.
Zelensky afirmou, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que as negociações precisam partir “da linha de frente como está hoje”. A declaração surge às vésperas de sua viagem a Washington, onde terá uma reunião com Donald Trump, e dias depois de o ex-presidente americano sugerir “trocas de terras” durante uma cúpula com Vladimir Putin no Alasca.
O Donbas, região que inclui Donetsk e Luhansk, é estratégico para a economia ucraniana por suas minas e indústrias. Entregar a área à Rússia, no entanto, é visto como uma “tragédia” por historiadores e políticos locais. Pesquisas recentes indicam que 75% dos ucranianos rejeitam a ideia de ceder formalmente território.
Para muitos, a questão é um dilema entre salvar vidas e preservar a soberania nacional. “Eu meço esta guerra não em quilômetros, mas em vidas humanas”, disse Yevhen Tkachov, socorrista em Kramatorsk, cidade próxima à linha de frente.
O encontro de Zelensky com Trump deve definir se o tema do Donbas entrará oficialmente na mesa de negociações. Mas a resistência dentro da Ucrânia, tanto da população quanto do parlamento, mostra que qualquer acordo ainda está longe de se concretizar.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: SERGEI SUPINSKY/AFP via Getty Images











