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Cartéis que encostarem um dedo em americanos no México pagarão caro, ameaça Casa Branca

Guadalajara (México) | AFP

A Casa Branca ameaçou os cartéis do México nesta terça-feira (24), dois dias após uma operação que matou um dos mais procurados traficantes do país, desencadeando uma onda de violência que levou o governo de Claudia Sheinbaum a mobilizar 10 mil soldados para conter os confrontos.

“Os cartéis de drogas mexicanos sabem que não devem encostar um dedo em nenhum americano, ou pagarão caro”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Ela afirmou ainda que o governo “desconhece qualquer relato de americanos feridos, sequestrados ou mortos”.

Assim como Reino Unido e Canadá, os Estados Unidos emitiram alertas de viagem em decorrência dos incidentes, enquanto a Austrália orientou seus cidadãos a “ter cautela”. Dezenas de voos dos EUA e do Canadá foram cancelados.

Nemesio “El Mencho” Oseguera, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), foi ferido no domingo (22) em um tiroteio com soldados na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu enquanto era transportado de avião para a Cidade do México, segundo o Exército.

Lá Fora

O cartel foi classificado de organização narcoterrorista estrangeira pelos EUA após o presidente Donald Trump voltar ao poder, e Washington havia oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões pelo criminoso.

No mesmo dia, a facção bloqueou estradas, incendiou veículos, atacou postos de gasolina, comércios e bancos e entrou em confronto com as autoridades em 20 dos 32 estados do país, incluindo o Estado do México. A situação fez 12 estados suspenderem as aulas nesta segunda (23).

Durante a operação militar e os confrontos subsequentes, pelo menos 27 agentes de segurança, 46 criminosos e um civil foram mortos, afirmaram autoridades.

Além disso, o governo do estado de Jalisco afirmou nesta segunda que uma prisão perto do popular balneário de Puerto Vallarta havia sido atacada a tiros na véspera e que pelo menos 23 detentos fugiram da cadeia após um portão ser arrombado com um veículo. O local é popular entre turistas americanos.

Também na segunda, Sheinbaum afirmou que a prioridade de seu governo é “proteger toda a população” e que não havia mais postos de controle de criminosos nas rodovias.

Jornalistas da agência de notícias AFP, no entanto, viram alguns criminosos nos arredores de Guadalajara, capital de Jalisco, e ao redor da área onde a prisão ocorreu. As ruas da segunda maior cidade do país estavam quase vazias, e a maioria dos estabelecimentos comerciais, fechada. Longas filas de pessoas ansiosas com uma possível escassez de alimentos se formaram em frente aos poucos comércios abertos.

Na segunda, o governo enviou 2.500 soldados adicionais para Jalisco —uma sedes da Copa do Mundo deste ano—, elevando para 10 mil o contingente mobilizado desde domingo. Contatada pela AFP, um porta-voz da Fifa afirmou que a organização não comentaria a situação. Sheinbaum, por sua vez, afirmou que existem “todas as garantias” para a realização dos jogos e que não há “nenhum risco” para os torcedores.

Oseguera, 59, era considerado o último dos grandes chefes do tráfico que atuava nos moldes brutais de Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada, do cartel rival de Sinaloa, ambos atualmente presos. Ele foi um dos fundadores do CJNG em 2009, gangue que se tornou uma das mais violentas do México.

A operação foi realizada exclusivamente por militares mexicanos, sem “participação de forças americanas”, disse Sheinbaum, ressaltando que há “muita troca de informações” entre os dois países.

A morte do líder de uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo aumenta os temores de uma possível luta interna pelo poder ou de um confronto entre o CJNG e outros cartéis pelo controle de seus territórios.

Com seu filho Rubén “El Menchito” Oseguera González, de 35 anos, condenado por um júri federal em Washington em setembro, especialistas alertaram que a ausência de uma sucessão direta pode levar a um vácuo de poder.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/mexico-mobiliza-10-mil-soldados-para-conter-violencia-apos-morte-de-lider-do-trafico.shtml

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