Ministros do STF, integrantes do governo e familiares estão entre os atingidos pela medida imposta por Washington
O governo dos Estados Unidos intensificou as pressões sobre o Brasil e revogou os vistos de entrada de ao menos 12 autoridades brasileiras e seus familiares. A medida ocorre em meio ao embate diplomático provocado pela postura de Donald Trump em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e atinge diretamente figuras de peso da política e da Justiça.
Entre os nomes afetados estão ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo Washington, foram sancionados magistrados que, na avaliação do governo americano, atuaram para restringir a liberdade de expressão.
No Ministério da Saúde, a decisão atingiu familiares do ministro Alexandre Padilha, que chamou a medida de “ato covarde”. Também perderam o visto Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor da pasta e atual coordenador da COP30. As sanções se somam ao recente aumento de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, imposto pelo governo Trump desde 6 de agosto.
A embaixada dos EUA no Brasil chegou a criticar publicamente o programa Mais Médicos, classificando-o como “um golpe diplomático” que teria beneficiado Cuba. O posicionamento ocorreu após críticas de autoridades brasileiras sobre as primeiras revogações de vistos relacionadas ao tema.
As medidas têm sido vistas pelo governo brasileiro como um movimento político de Trump para pressionar o país durante a tramitação dos processos contra Bolsonaro no Supremo. No Planalto, a avaliação é de que a estratégia americana coloca em risco relações comerciais e diplomáticas de longo prazo.
Diante das sanções, o Palácio do Planalto estuda acionar mecanismos internacionais de contestação, mas ainda não há uma posição oficial sobre retaliações. Enquanto isso, cresce a percepção de que a crise diplomática pode se prolongar, com impactos tanto na política quanto na economia.
Por: Lucas Reis
Foto: Divulgação











