Teerã
Dois líderes do setor reformista do Irã que haviam sido presos por participar das manifestações das últimas semanas contra o regime foram libertados na quinta-feira (12), informou a imprensa iraniana.
O campo reformista apoiou o presidente Masoud Pezeshkian durante a campanha eleitoral de 2024, mas várias de suas lideranças se distanciaram do regime e respaldaram os protestos. Teerã respondeu com repressão brutal, e os atos foram os mais mortais desde a Revolução Iraniana de 1979,que derrubou a monarquia e culminou no estabelecimento da República Islâmica.
Um homem segura uma bandeira do Irã durante protesto pró-regime em Teerã – 11.fev.26/AFP
Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 6.000 vítimas, enquanto Teerã admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações.
O porta-voz da Frente Reformista, Javad Emam, havia sido detido no domingo (8). Em 2009, ele foi um dos diretores da campanha de Mir-Hosein Mousavi, líder opositor e ex-primeiro-ministro, que está em prisão domiciliar desde 2011.
A detenção de Emam ocorreu depois das de outras duas figuras importantes do campo reformista: Ebrahim Asgharzadeh, ex-membro do Parlamento, e Azar Mansouri, líder desde 2023 da Frente Reformista.
Os três foram acusados de “atentar contra a unidade nacional” e de “coordenação com a propaganda inimiga”. Emam e Asgharzadeh foram libertados após pagamento de fiança, segundo relatou o advogado deles à agência Isna.
Já Mansouri segue presa, embora sua defesa diga que ela deverá ser libertada nos próximos dias.
Na esteira das solturas, o regime persa anunciou nesta sexta-feira (13) a criação de uma comissão de investigação para analisar os recentes protestos. O anúncio não deixou claro, porém, se o grupo vai se concentrar nas demandas econômicas ou se investigará as mortes.
“Uma comissão de investigação foi formada com representantes das instituições pertinentes, que está compilando documentos e tomando depoimentos”, declarou a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, à agência local de notícias Isna.
“O relatório final será publicado para conhecimento público e para possíveis ações legais após a conclusão do processo.”
Os protestos, que começaram no final de dezembro devido à crise econômica, evoluíram para um movimento mais amplo que atingiu o ápice em janeiro.
Veículo: Folha Uol












