Home / Mundo / Mercosul cita desapontamento com UE e evita menção à Venezuela em declaração final

Mercosul cita desapontamento com UE e evita menção à Venezuela em declaração final

Nathalia Garcia

Foz do Iguaçu (PR)

Os países do Mercosul manifestaram desapontamento com o adiamento da assinatura do acordo com a União Europeia e não fizeram menção à situação na Venezuela no documento final da cúpula de líderes, deste sábado (20), em Foz do Iguaçu.

No texto, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enfatizaram que o tratado não foi selado, como previsto, por falta de consenso político entre os europeus. Os presidentes salientaram que a assinatura do acordo “daria uma sinalização positiva ao mundo na atual conjuntura internacional, fortalecendo a integração entre os dois blocos”.

Presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Lula e Yamandú Orsi (Uruguai) e o chanceler boliviano Fernando Aramayo em Foz do Iguaçu (PR) – Evaristo Sá/AFP

Apesar da frustração, demonstraram confiança de que a União Europeia terminará os trâmites internos que permitirão à assinatura do acordo com o Mercosul futuramente. No texto, falaram em fixar uma possível data para a assinatura, sem mencionar um novo prazo.

Ao discursar na cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou ter recebido uma carta dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, na qual ambos manifestaram expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro —quando o Paraguai ocupará a presidência rotativa do Mercosul.

Lá Fora

Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

Carregando…

O presidente brasileiro também cobrou coragem e vontade política dos líderes europeus depois de dizer que esperava finalmente assinar o acordo UE-Mercosul após 26 anos de negociação.

“Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola”, disse. “Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos”, acrescentou.

Além da decepção pelo adiamento da assinatura do tratado, outro assunto que marcou o encontro dos líderes sul-americanos no Brasil foi a divergência sobre a crise da Venezuela.

A 3º posse do ditador Nicolás Maduro na Venezuela

Líder do regime chavista assume para mais seis anos no poder após eleição apontada como fraudada

O presidente do Parlamento unicameral da Venezuela, deputado Jorge Rodríguez, juramenta o ditador Nicolás Maduro durante cerimônia na sede do Legislativo, em Caracas

Maduro, junto com a esposa, Cilia Flores (de azul), a vice, Delcy Rodríguez, e o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez (de óculos), ao chegar à cerimônia na capital

O ditador na cerimônia, em foto compartilhada por seu regime

Maduro ao lado da esposa, Cilia Flores, após a cerimônia de posse

O ditador cumprimenta o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante o evento; o cubano foi um dos únicos líderes que compareceram

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, chega à sede da Assembleia Nacional para a cerimônia; ele chegou de última hora, antes, Manágua havia dito que enviaria uma delegação chefiada por um ministro

Apoiadores do líder chavista celebram em Caracas

Guarda de honra fica do lado de fora da Assembleia Nacional enquanto aguarda a chegada de Nicolás Maduro

A situação do país de Nicolás Maduro não foi mencionada na declaração final dos presidentes, que priorizou aspectos comerciais. Além disso, as divergências levaram a cúpula a terminar sem um documento do bloco e dos Estados associados —em que são discutidos temas geopolíticos da região.

Atualmente, o Mercosul conta com sete Estados associados: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá, que formalizou sua adesão em 2024.

O assunto colocou Lula e o presidente da Argentina, Javier Milei, em lados opostos. Enquanto o brasileiro afirmou que uma intervenção armada na Venezuela seria catastrófica, o argentino exaltou a pressão dos Estados Unidos sobre o regime de Maduro. Trump tem escalado a retórica e as ações contra a Venezuela nos últimos meses.

No campo comercial, a declaração ainda deu ênfase à estratégia do bloco sul-americano de diversificar suas parcerias. Em trecho do documento, os presidentes “manifestaram o interesse em seguir a prospecção de diálogos exploratórios com outros parceiros comerciais com potencial para incrementar a inserção do bloco na economia internacional.”

Além de saudar a retomada das negociações com Canadá e do aprofundamento da relação com a Índia, os presidentes destacaram as discussões com Vietnã e Indonésia, como parte do objetivo de estreitar laços com economias emergentes de rápido crescimento e expandir o alcance das parcerias do Mercosul.

No documento, também reafirmaram a intenção de avançar nos processos de integração comercial com países da América Central e o Caribe, dando continuidade às negociações com El Salvador, para assinatura de acordo de livre comércio, e aos diálogos com Panamá e a República Dominicana.

O bloco sul-americano deu sequência às tratativas internas envolvendo o aperfeiçoamento do Focem, o fundo voltado para redução de assimetrias do Mercosul. No comunicado, os líderes disseram ter instruído os órgãos competentes a “[impulsionar os trabalhos em andamento](https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/brasil-propoe-corte-drastico-em-fundo-do-mercosul-e-entra-em-choque-com-uruguai-e-paraguai.shtml)” para dar continuidade ao mecanismo.

A transção energética também foi debatida na cúpula em Foz do Iguaçu, com discussões voltadas à integração de mercados de biocombustíveis e aos combustíveis sustentáveis de aviação.

O bloco definiu ainda os termos de referência para a realização de um estudo voltado ao setor sucroalcooleiro, buscando um diagnóstico de potencialidades, alternativas e oportunidades para o fortalecimento das cadeias produtivas regionais e facilitação do acesso a mercados internacionais.

Além do comunicado conjunto dos presidentes ao término da cúpula, foram publicados dois documentos adicionais —uma declaração sobre proteção à infância e adolescência em ambientes digitais e um texto sobre a questão das ilhas Malvinas.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/12/mercosul-cita-desapontamento-com-ue-e-evita-mencao-a-venezuela-em-declaracao-final.shtml

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *