Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que virou amigo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que os problemas do país irão se resolver. Ele avaliou que é possível negociar por meio do diálogo, em vez da guerra, e que os EUA e a Venezuela precisam deixar claro o que querem.
O presidente afirmou estar à disposição de ambos os países para contribuir com o diálogo e disse que já conversou tanto com Trump quanto com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“Disse para ele [Trump] que a coisa não se resolveria dando tiro, era melhor sentar em volta de uma mesa para encontrar uma solução”, afirmou nesta quinta-feira (18) durante café com jornalistas.
“Nunca ninguém diz concretamente por que é preciso fazer essa guerra. Não sei se o interesse é só o petróleo da Venezuela, não sei se o interesse são os minerais críticos, não sei se o interesse são as terras raras. Os dados concretos é que ninguém coloca na mesa o que quer. Sabe?”, acrescentou.
Presidente Lula (PT) durante reunião ministerial
Na quarta (17), Lula disse ter falado a Trump que conversar é “menos sofrível” do que a guerra.
O governo americano enviou uma frota militar aos mares do entorno da Venezuela em operação militar com a justificativa de combater o narcotráfico. Além disso, Trump ordenou um bloqueio total de petroleiros sob sanção dos EUA ao redor da costa venezuelana.
O regime de Nicolás Maduro reagiu, classificando a ação dos EUA de “irracional” e “ameaça grotesca”.
Apesar de sanções americanas contra o setor petrolífero venezuelano, a empresa americana Chevron opera no país sul-americano com anuência de Washington —medida adotada pelo governo Joe Biden com o objetivo de reduzir o preço de gasolina nos EUA e mantida pelo governo Trump.
Cercanías
A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo
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As declarações foram feitas durante oúltimo encontro do ano feito por Lula com todos os seus ministros, no qual é apresentado um balanço de ações no ano e cobranças do presidente são reforçadas.
Nele, Lula se referiu a conversas que travou com o homólogo americano sobre questões bilaterais e internacionais. Em telefonema mais recente, o brasileiro pediu cooperação de Trump no combate ao narcotráfico internacional, sem menções diretas à Venezuela, segundo o governo brasileiro.
Na mesma semana, Lula também conversou com Maduro sobre a escalada militar dos EUA contra o país vizinho.
O presidente Lula disse ainda, durante um café com jornalistas, que se tornou amigo de Trump e mantém diálogo com o presidente.
“Todos vocês pensaram que eu iria entrar em guerra com Trump, o Trump virou meu amigo. Com um pouco de conversa, dois homens de 80 anos de idade, não tem por que brigar. Nós estamos conversando direitinho e pode ficar certo que tudo vai se acertar sem nenhum tiro, sem nenhuma arma, sem nenhuma bomba, sem nenhum navio bloqueando a costa brasileira”, declarou Lula.
“Eu disse para o presidente Tump, o poder da palavra é mais forte que qualquer arma que vocês possam ter, é só saber utilizá-lo e a gente vai conseguir resolver grande parte dos problemas que a gente tem na política.”
O presidente acrescentou ainda que, a cada 15 dias, toma a iniciativa de enviar uma mensagem pessoal a Trump. “Tá faltando tal coisa, tá devagar tal coisa. O olho do dono que engorda o porco. Se eu não falo nada, ele acha que tá tudo resolvido”, disse.
Raquel Lopes , Catia Seabra , Mariana Brasil , Lucas Marchesini e Isadora Albernaz
Veículo: Folha Uol











