Uma marca de roupas masculinas na China foi criticada nesta semana por uma etiqueta de lavanderia com a seguinte frase: “Por favor, entregue à sua mulher amada —ela sabe de tudo”.
A etiqueta, sem instruções de lavagem, vinha apenas com dois QR codes direcionando às redes sociais da fabricante, a Gu Zhuo Kang Zheng Garment Company, do leste da China. O produto, um casaco da linha Labour Union, viralizou nas redes sociais após um cliente postar a foto do rótulo.
Diante da repercussão, a empresa divulgou um pedido de desculpas. Uma porta-voz afirmou que o texto foi um “erro de expressão” e que não havia “intenção de insultar as mulheres”. Segundo a empresa, o objetivo era alertar que “muitos homens não sabem lavar roupas feitas com materiais especiais”.
A explicação não convenceu. Usuários no Weibo criticaram o tom “patriarcal” e convocaram um boicote à marca.
- “Como assim entregar para a mulher? Aprenda você mesmo a lavar,” escreveu uma usuária cuja postagem recebeu mais de 40 mil curtidas.
O caso reabriu o debate sobre estereótipos de gênero e a naturalização da divisão desigual das tarefas domésticas, um tema recorrente no marketing chinês.
Por que importa:
a controvérsia evoca casos recentes semelhantes na China, como a campanha do detergente Blue Moon no Dia das Mães do ano passado, que viralizou com slogans “facilite a lavagem para mamãe”. Cartazes da empresa foram vandalizados e ela foi alvo de uma campanha no Weibo, rede social chinesa. A marca retirou os anúncios do ar e criou um concurso cultural para achar um novo slogan.
Outro exemplo aconteceu com a Ulike, que, em 2023, divulgou um anúncio que fazia trocadilhos de conotação sexual para um depilador feminino. A peça foi alvo de investigação oficial por discriminação publicitária.
Veículo: Folha Uol











