São Paulo
Quase uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, Washington e Caracas retomaram os contatos diplomáticos, ainda que de forma limitada, e já avaliam a reabertura de embaixadas nos dois países.
A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9) o início do que chamou de “processo exploratório” para retomar as relações com Washington, rompidas desde 2019. Os EUA, por sua vez, enviaram ao país sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americano na Colômbia, para fazer uma avaliação de uma possível volta gradual das operações diplomáticas.
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa em Caracas – Leonardo Fernandez Viloria – 8.jan.26/Reuters
Segundo comunicado divulgado pelo chanceler venezuelano, Yván Gil, o regime de Delcy Rodríguez, a líder interina do país, decidiu abrir um canal preliminar com Washington para restabelecer as representações nos dois países. No texto, Caracas afirma que a medida tem o objetivo de avaliar as condições para a retomada formal das relações bilaterais.
O regime venezuelano confirmou também a chegada da delegação dos EUA a Caracas e informou que enviará uma representação oficial a Washington como parte desse processo inicial de aproximação.
EUA x Venezuela
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Em comunicado separado, a Venezuela reiterou que a fase atual é de “caráter exploratório”, sem explicar o que isso significa, e voltada à reconstrução da presença diplomática mútua. Do lado americano, funcionários do Departamento de Estado disseram que farão avaliações técnicas e logísticas para o aumento dos diálogos.
Trump disse que os EUA administrarão o país até uma transição e que o regime venezuelano entregará de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos EUA. Na quarta-feira (7), o republicano afirmou que a supervisão americana sobre a Venezuela pode durar mais tempo e que o regime chavista tem aceitado tudo o que a Casa Branca julga necessário.
A movimentação mais recente marca um gesto raro de diálogo direto entre os dois países após anos de ruptura. Ocorre também num contexto ainda de tensão política e militar entre Caracas e Washington.
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Apesar das iniciativas para reaproximação, diplomatas ouvidos pela agência de notícias AFP afirmam que Washington ainda não tomou uma decisão sobre a reabertura da embaixada. Segundo as autoridades, que não entraram em detalhes, questões logísticas continuam em análise, embora os EUA estejam preparados para retomar a representação assim que o presidente Donald Trump autorizar.
Desde o fechamento da embaixada na Venezuela, as operações americanas relacionadas ao país passaram a ser conduzidas a partir da embaixada na Colômbia, que também funcionou sem um embaixador titular durante esse período.
Um jornalista da AFP registrou ainda a saída de veículos da embaixada americana em Caracas, que havia sido fechada pouco depois de Washington não reconhecer a primeira reeleição de Maduro, em 2018. A segunda reeleição, em 2024, tampouco foi reconhecida e classificada de fraudulenta.
Maduro foi capturado em 3 de janeiro, durante uma incursão militar em Caracas, e levado com a esposa, Cilia Flores, a Nova York, onde responde a um processo por narcotráfico. Segundo o chanceler Yván Gil, as “consequências derivadas da agressão e do sequestro” do ditador farão parte da agenda de trabalho das conversas diplomáticas.
Veículo: Folha Uol












