Joe DanielsAndres Schipani
Bogotá | Financial Times
Donald Trump disse que se reunirá com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, apenas alguns dias depois de terameaçado ataques militares contra o país sul-americano.
O republicano conversou com Petro, a quem ele já acusou anteriormentede ser traficante de drogas, na noite de quarta-feira (7), descrevendo a ligação como uma “grande honra” em uma publicação no Truth Social. Petro explicou “a situação das drogas e outros desentendimentos que tivemos”, escreveu o presidente.
Os presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump – Andrea Ariza e Brenda Smialowski/AFP
“Apreciei sua ligação e tom, e espero me encontrar com ele em breve”, disse Trump, acrescentando que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, coordenaria a reunião com o ministro das Relações Exteriores da Colômbia.
“A reunião acontecerá na Casa Branca em Washington”, afirmou o presidente dos EUA, sem especificar uma data.
A distensão representa uma reviravolta entre os líderes, queestiveram em conflito desde o retorno de Trump ao Salão Oval há um ano.
EUA x Venezuela
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Eles conversaram minutos antes de Petro aparecer em um comício anti-EUA em Bogotá. Falando do palco, o presidente da Colômbia, ex-membro de guerrilha, disse que havia mudado suas observações planejadas.
“Eu tinha um discurso mais duro preparado”, afirmou ele aos milhares reunidos na Plaza Bolívar, no centro de Bogotá. Petro ulpou políticos colombianos de direita por terem “enganado Trump” sobre seu suposto envolvimento no tráfico de drogas, acrescentando que “Trump não é tolo”. Ele também negou as acusações.
Em setembro, Petroteve seu visto americano revogado depois de pedir que soldados americanos “desobedecessem” Trump em um comício pró-Palestina em Nova York. No mesmo mês, Washington disse que a Colômbia não era mais uma aliada na guerra contra as drogas, embora tenha mantido acordos de cooperação de segurança de longa data. A Colômbia é a maior produtora de cocaínado mundo.
O governo Trump também aplicou sanções pessoais a Petro e sua esposa em outubro, acusando o líder colombiano de ser traficante de drogas.
As relações entre os aliados tradicionais azedaram ainda mais após a prisão e captura do líder autoritário da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas no sábado, que Petro descreveu como um “sequestro”.
Reprodução de vídeo da Casa Branca no X mostra o ditador da Venezuela Nicolás Maduro, sendo conduzido sob custódia por um corredor nos escri@RapidResponse47/Reuters Mais
Falando com repórteres no Air Force One no domingo, Trump ameaçou ação militar contra a Colômbia, que ele disse estar “muito doente também” e ser “governada por um homem doente que gosta de produzir e enviar cocaína aos EUA”.
Petrorespondeu dizendo que estaria disposto a “pegar em armas novamente” se a Colômbia fosse atacada, em referência ao seu tempo como membro do grupo guerrilheiro M-19, hoje extinto.
As tensões pareciam ter diminuído na quarta-feira, com a embaixada colombiana em Washington dando boas-vindas ao “tom construtivo” da conversa.
A embaixada dos EUA em Bogotá havia alertado anteriormente os americanos sobre manifestações em todo o país, incluindo a da capital, aconselhando os cidadãos a “evitarem grandes protestos, pois têm o potencial de se tornarem violentos”.
No comício, multidões entoaram “malditos gringos” e carregaram cartazes chamando Trump de “imperialista”. Alguns participantes queimaram uma bandeira dos EUA.
Veículo: Folha Uol











