Cairo e Dubai | Reuters
O Exército de Israel afirmou nesta quinta-feira (8) que realizou um ataque contra um local de lançamento de foguetes próximo à Cidade de Gaza após identificar uma suposta tentativa de disparo que falhou. Autoridades de saúde palestinas, que atuam sob controle do grupo terrorista Hamas, acusaram Tel Aviv de ter realizado outras duas ofensivas horas depois, matando ao menos quatro pessoas.
Os episódios ocorrem em meio a incertezas sobre o início da próxima fase do frágil acordo de cessar-fogo, assinado em outubro do ano passado, e troca de acusações de violação da trégua. Segundo os militares, o projétil não cruzou para o território israelense e o local de lançamento foi atingido pouco depois de a tentativa ter sido detectada.
Palestinos carrem corpo de pessoa que teria morrido após ataque de Israel em Khan Yunis, em Gaza – Ramadan Abed/Reuters
Médicos palestinos afirmam que Israel lançou outros dois ataques nesta quinta que deixaram quatro mortos. Um deles teria atingido uma tenda em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, matando menos três pessoas e ferindo outras três, incluindo crianças. O outro teria ocorrido no leste da capital do território palestino, perto de uma área onde forças israelenses atuam, matando uma pessoa.
Até o momento, não houve comentário de Israel sobre esses relatos.
O cessar-fogo acordado em outubro não avançou além da primeira fase, na qual os principais combates foram interrompidos, Israel se retirou de menos da metade de Gaza e o Hamas libertou reféns vivos e devolveu os restos mortais em troca de palestinos detidos.
O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu aguarda a entrega dos últimos restos mortais mantido em Gaza previsto na atual etapa da trégua. Um funcionário israelense próximo ao premiê afirmou à agência de notícias Reuters que Tel Aviv não avançará para a próxima fase do cessar-fogo até que a devolução ocorra.
Israel também já disse que só vai reabrir a passagem de Rafah, na fronteira de Gaza com o Egito, assim que todos os corpos de reféns forem devolvidos. A medida também está prevista no plano de paz, que indica a entrada massiva de ajuda humanitária com a reabertura dos postos de controle.
Nas fases futuras, que ainda precisam ser negociadas, o plano também prevê o desarmamento do Hamas, uma retirada adicional de Israel e a reconstrução de Gaza por uma administração apoiada internacionalmente.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, mais de 400 palestinos foram mortos desde a trégua, de acordo com autoridades de saúde de Gaza, assim como três soldados israelenses. Quase todos os mais de 2 milhões de habitantes do território vivem agora em abrigos improvisados ou prédios danificados em uma estreita faixa de território.
Israel e Hamas têm se acusado mutuamente de violar a trégua. Israel continuou a realizar ataques aéreos e operações direcionadas em o território. O Hamas se recusa a entregar as armas e vem reafirmando seu controle enquanto tropas israelenses permanecem entrincheiradas em cerca de metade da Faixa de Gaza.
Israel afirmou que retomará a ação militar caso o Hamas não seja desarmado de forma pacífica.
Veículo: Folha Uol












