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Intervenção armada na Venezuela seria catástrofe humanitária, diz Lula após ameaças dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (20) que uma intervenção armada na Venezuela seria catastrófica e configuraria um precedente perigoso.

A fala do brasileiro ocorreu em Foz do Iguaçu (PR), durante reunião do Mercosul, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinar o bloqueio de navios petroleiros sob sanção americana próximos da Venezuela.

O presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Yamandu Orsi (Uruguai), e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo, durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná – Evaristo Sá – 20.dez.25/AFP

A ação de Trump é considerada um passo para uma guerra contra o país sul-americano, liderado pelo ditador Nicolás Maduro. Militares dos EUA têm feito ataques a embarcações em águas próximas à Venezuela.

“Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, disse Lula.

O petista também citou o conflito entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, de abril a junho de 1982. “Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional”, afirmou o petista.

Trump tem escalado a retórica e as ações contra a Venezuela nos últimos meses. A definição de quais petroleiros estão sob sanção, por exemplo, é pouco clara. Na prática, a medida deve impedir a entrada ou saída de águas venezuelanas de quase todos os cargueiros de petróleo não ligados à americana Chevron.

As autoridades venezuelanas protestam. O regime do país latino-americano classificou de “ameaça grotesca” o bloqueio dos navios.

No último dia 11, o governo Trump capturou no Caribe o petroleiro “Skipper”, cargueiro de bandeira da Guiana que saía de um porto venezuelano carregado de petróleo, sob acusação de que o navio fazia comércio com o Irã, país sob sanção dos EUA.

Em seguida, as exportações de petróleo da Venezuela despencaram, e navios com pelo menos 11 milhões de barris estão parados na costa do país.

Donald Trump também classificou a ditadura de Maduro de organização terrorista internacional, o que abre caminho para ataques diretos contra a Venezuela.

O presidente dos EUA tem poderes amplos para atacar membros ou bases de grupos terroristas sem precisar pedir autorização do Congresso —a Constituição americana determina que somente o Legislativo tem poder de declarar guerra.

Lula é historicamente próximo do chavismo, mas se afastou do regime venezuelano recentemente. O distanciamento ganhou tração em 2024, depois de o país realizar uma eleição que reconduziu Maduro a um terceiro cargo sob acusações de fraude feitas pela oposição e por líderes internacionais.

O presidente brasileiro é contrário ao aumento da presença militar estrangeira na América Latina. Outros líderes do continente, porém, têm alinhamento maior às ações americanas contra a Venezuela.

Um exemplo é o recém-eleito presidente do Chile, José Antonio Kast. Ele afirmou na última semana que Maduro é um narcoditador, em um discurso que se aproxima da retórica de Donald Trump.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/12/intervencao-armada-na-venezuela-seria-catastrofe-humanitaria-diz-lula-apos-ameacas-dos-eua.shtml

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