Cairo e Doha | AFP e Reuters
O chefe do Hamas em Gaza, Khalil al-Hayya, confirmou neste domingo (14) que o chefe da produção de armas do grupo foi mortoem um ataque israelense ocorrido na véspera na Faixa de Gaza.
“O povo palestino está passando por momentos difíceis e sofrendo muito com o martírio de mais de 70 mil pessoas, a última das quais foi o comandante mujahidin Raed Saad e seus companheiros”, disse Hayya em pronunciamento na Al-Aqsa TV, emissora do grupo terrorista, em referência ao total de mortes desde o começo da guerra entre Hamas e Israel, em outubro de 2023.
Palestinos carregam os corpos dos mortos no ataque deste sábado, entre eles o comandante Raed Saed, na Cidade de Gaza – Dawoud Abu Alkas/Reuters
Israel anunciou no sábado a morte de Raed Saad, descrevendo-o como “um dos arquitetos” do ataque do 7 de Outubro, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas e mais de 200 sequestradas, que desencadeou a guerra em Gaza. Outras quatro pessoas teriam morrido no bombardeio.
Segundo Hayya, a morte do comandante ameaça a trégua no território. “As contínuas violações israelenses ao acordo de cessar-fogo e os recentes assassinatos que tiveram como alvo Saed e outros ameaçam a viabilidade do acordo”, disse no pronunciamento.
“Conclamamos os mediadores, e especialmente o principal garantidor, o governo dos EUA e o presidente [Donald Trump](https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/donald-trump/), a trabalharem para obrigar Israel a respeitar o cessar-fogo e a se comprometer com ele”, acrescentou.
Hayya também disse que o grupo tem um “direito legítimo” de possuir armas e que qualquer proposta para as próximas fases do cessar-fogo em Gaza deve respeitar esse direito. A questão é um dos maiores impasses à manutenção da trégua, já que Israel exige o desarmamento completo da facção terrorista.
“A resistência e suas armas são um direito legítimo garantido pelo direito internacional e estão ligadas ao estabelecimento de um Estado palestino”, afirmou. “Estamos abertos a estudar quaisquer propostas que preservem esse direito, garantindo ao mesmo tempo o estabelecimento de um Estado palestino.”
Segundo ele, o envio da Força Internacional de Estabilização, autorizada pela ONU, é uma parte fundamental da próxima fase do plano de paz. No entanto, “o papel das forças internacionais deve se limitar a manter o cessar-fogo e separar os dois lados ao longo das fronteiras de Gaza, sem qualquer atuação dentro da faixa ou intervenção em seus assuntos internos”.
O Comando Central dos EUA fará uma conferência em Doha, na próxima terça (16), com nações parceiras para planejar a Força Internacional de Estabilização para Gaza, disseram autoridades americanas à agência de notícias Reuters.
Veículo: Folha Uol











