Hamed Aleaziz
Washington | The New York Times
O governo de Donald Trump está fornecendo os nomes de todos os passageiros aéreos às autoridades de imigração, expandindo substancialmente o uso do compartilhamento de dados para expulsar pessoas sob ordens de deportação.
Sob este programa, até então não divulgado, a TSA (Administração de Segurança de Transportes) fornece, várias vezes por semana, ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) uma lista com os nomes dos viajantes que passarão pelos aeroportos. O ICE pode então comparar a lista com seu próprio banco de dados de pessoas sujeitas à deportação e enviar agentes ao aeroporto para deter essas pessoas.
Aeroporto Internacional de Dulles, no estado da Virginia – Evelyn Hockstein – 13.nov.25/Reuters
Não está claro quantas prisões foram feitas como resultado dessa colaboração. Mas documentos obtidos pelo jornal The New York Times mostram que ela levou à prisão de Any Lucía López Belloza, uma estudante universitária detida no Aeroporto Internacional Logan de Boston em 20 de novembro e deportada para Honduras dois dias depois. Um ex-funcionário do ICE afirmou que 75% dos casos em sua região em que os nomes foram sinalizados pelo programa resultaram em prisões.
Historicamente, o ICE tem evitado interferir em viagens domésticas. Mas a parceria entre a segurança aeroportuária e a agência de imigração, que começou discretamente em março, é a mais recente forma pela qual o governo Trump está intensificando a cooperação e o compartilhamento de informações entre agências federais, visando atingir o objetivo do presidente de realizar a maior campanha de deportação da história dos EUA.
“A mensagem para aqueles que estão no país ilegalmente é clara: o único motivo para vocês estarem viajando de avião é para se autodeportarem para casa“, disse Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna.
Passageiros de companhias aéreas já estão sujeitos a certo escrutínio federal há tempos. As companhias aéreas fornecem informações sobre os passageiros à TSA após a reserva do voo. Essas informações são comparadas com bancos de dados de segurança nacional.
Mas a TSA não se envolvia anteriormente em questões criminais ou de imigração domésticas, disse um ex-funcionário da agência, que falou sob condição de anonimato. Entre as preocupações, disse o ex-funcionário, estava a de que as atividades de fiscalização nos aeroportos pudessem desviar a atenção da segurança aeroportuária e contribuir para o aumento do tempo de espera dos passageiros.
Lá Fora
Ativistas criticaram duramente o programa de deportação nos aeroportos, afirmando que ele tem como objetivo intimidar imigrantes. “Esta é mais uma tentativa de aterrorizar e punir comunidades, e fará com que as pessoas tenham pavor de sair de casa por medo de serem detidas injustamente e desaparecerem do país antes mesmo de terem a chance de contestar a detenção”, disse Robyn Barnard, diretora sênior de defesa dos refugiados da Human Rights First, uma organização de defesa dos imigrantes.
Veículo: Folha Uol











