Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que irá “pausar permanentemente” a migração de todos os “países do Terceiro Mundo”, após a morte de uma integrante da Guarda Nacional em um ataque próximo à Casa Branca.
À agência Reuters, o Departamento de Segurança Interna se referiu a uma lista de nacionalidades que Trump havia banido ou dificultado a entrada no país e que não inclui o Brasil quando perguntado a quais nações o presidente americano se referia. Entre esses países estão Afeganistão, nacionalidade do autor do atentado em Washington, além de Cuba, Venezuela e Haiti, entre outros da África, Ásia e Oriente Médio.
A declaração de Trump marca uma nova escalada das medidas anti-imigração do governo Trump desde o ataque de quarta-feira que, segundo investigadores, foi realizado por um cidadão afegão que havia trabalhado para a agência de inteligência americana no Afeganistão e imigrou aos EUA em 2021 através de um programa de reassentamento.
O presidente dos EUA, Donald Trump, mostra fotografia do interior de uma aeronave americana que retirou pessoas do Afeganistão após a retomada do país pelo Talibã – Pete Marovich – 27.nov.25/Getty Images via AFP
Trump não identificou nenhum país em particular e não explicou o que quis dizer com países do terceiro mundo ou “pausar permanentemente”. O presidente disse que o plano incluiria casos aprovados durante a gestão do ex-presidente Joe Biden.
“Vou pausar permanentemente a migração de todos os países do terceiro mundo, para permitir que o sistema dos EUA se recupere totalmente, encerrar todas as milhões de admissões ilegais de Biden, incluindo aquelas assinadas pela caneta automática do sonolento Joe Biden, e remover qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos”, escreveu ele na rede Truth Social.
Trump disse que acabaria com todos os benefícios federais e subsídios para não cidadãos, acrescentando que iria “desnaturalizar migrantes que minam a tranquilidade doméstica” e deportar qualquer estrangeiro considerado um encargo público, um risco de segurança ou “não compatível com a civilização ocidental”.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Carregando…
A Casa Branca e o serviço de imigração dos EUA não responderam a pedidos de comentário da agência Reuters.
Trump fez a publicação na rede social após a morte, nesta quinta-feira (27), de Sarah Beckstrom, 20, que foi baleada no ataque. O colega dela da Guarda Nacional Andrew Wolfe, 24, ficou ferido.
Anteriormente, funcionários do Departamento de Segurança Interna disseram que Trump havia ordenado uma ampla revisão dos casos de asilo aprovados durante a gestão Biden e dos green cards emitidos para cidadãos de 19 países.
O atirador, identificado por autoridades como Rahmanullah Lakanwal, 29, recebeu asilo neste ano sob Trump, de acordo com arquivo do governo americano visto pela Reuters.
Ele entrou nos EUA em um programa de reassentamento estabelecido por Biden após a retirada militar dos EUA do Afeganistão em agosto de 2021, que levou ao rápido colapso do governo afegão e à retomada do país pelo Talibã.
Em uma publicação separada e anterior ao anúncio sobre a pausa, Trump afirmou que centenas de milhares de pessoas entraram nos EUA totalmente “sem verificação e sem controle” durante o que ele descreveu como o “horrendo” transporte aéreo do Afeganistão.
O serviço de imigração do país interrompeu na quarta-feira (26) o processamento de todos os pedidos de imigração relacionados a cidadãos afegãos por tempo indeterminado.
Trump indicou que os objetivos de sua gestão visam reduzir significativamente “populações ilegais e perturbadoras”, sugerindo que medidas seriam tomadas para alcançar esse resultado.
“Apenas a MIGRAÇÃO REVERSA pode curar completamente esta situação”, afirmou ele, ecoando palavras-chave da ultradireita global contrária a imigração.
Ainda que Lakanwal estivesse de forma legal no país, o ataque desta semana reforça a agenda de imigração de Trump —reprimir tanto a imigração legal quanto a ilegal tem sido um dos focos de seu retorno à Casa Branca. O caso dá a ele a oportunidade de ampliar o debate para além da legalidade, incluindo uma verificação mais rigorosa dos imigrantes.
Trump tem enviado agentes de imigração adicionais para as principais cidades dos EUA com a meta de alcançar níveis recordes de deportações, incluindo muitos residentes de longa data no país e indivíduos sem antecedentes criminais.
Mais de dois terços das cerca de 53 mil pessoas presas pelo ICE e detidas até 15 de novembro não tinham condenações criminais, de acordo com estatísticas do serviço migratório.
Veículo: Folha Uol











