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Queda de ministro da Justiça em caso de corrupção de R$ 527 milhões mina governo Zelenski na Ucrânia

Kiev | AFP

Um escândalo de corrupção e novas acusações de uso político do sistema judicial colocam o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, sob forte pressão, quase quatro anos após o início da invasão russa. O caso envolve figuras próximas ao governo e reacende o debate sobre transparência e independência institucional no país.

O ministro da Justiça e ex-ministro de Energia, German Galushchenko, foi afastado de suas funções nesta quarta-feira (12) devido a suspeitas de corrupção. Ele é investigado por supostamente ter participado de um esquema de propinas de até US$ 100 milhões (R$ 527 milhões) na empresa estatal de energia.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, durante entrevista coletiva em Kiev – Tetiana Dzhafarova – 31.out.25/AFP

O escândalo também atinge Timur Mindich, aliado próximo de Zelenski e coproprietário da produtora audiovisual fundada pelo presidente. Os dois negam as acusações.

O caso surge em um momento delicado para o governo devido à guerra contra a Rússia, em que infraestrutura energética ucraniana é alvo de ataques frequentes, e as forças de Moscou avançam no leste do país. Embora Zelenski ainda goze de popularidade por sua liderança no conflito, cresce o número de denúncias de que a Presidência estaria usando o Judiciário para intimidar críticos.

Essas acusações ganharam força após a prisão de Volodimir Kudritski, ex-chefe da estatal de energia, a Ukrenergo, em outubro. Acusado de desvio de recursos, ele afirma ser vítima de perseguição política por ter criticado a estratégia do governo na defesa da rede elétrica. “É puramente político. Isso não poderia ter acontecido sem a participação da Presidência”, disse Kudritski à agência de notícias AFP.

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As críticas se intensificaram com manifestações de apoio ao ex-diretor. O defensor público para assuntos empresariais, Roman Waschuk, considerou as provas frágeis, e a deputada da oposição Inna Sovsun afirmou que o governo tenta calar adversários com processos judiciais. Zelenski, por sua vez, disse que se trata de uma questão judicial.

O escândalo envolvendo Mindich reacendeu preocupações sobre a centralização do poder presidencial. Em julho, Zelenski chegou a apresentar um projeto de lei para diminuir a autonomia de órgãos anticorrupção, como a Procuradoria Anticorrupção e o Escritório Nacional Anticorrupção, mas a proposta foi retirada após protestos e críticas internas e internacionais.

O escândalo envolvendo o ministro da Justiça, inclusive, veio à tona após investigações dos órgãos anticorrupção do país. As funções de Galushchenko foram assumidas pela vice-ministra de Integração Europeia, Liudmila Sugak.

Os recentes episódios representam um desafio à candidatura da Ucrânia à União Europeia, que exige avanços em reformas democráticas e no combate à corrupção. Desde o fim da União Soviética, o país enfrenta escândalos recorrentes, no que é considerado seu principal ponto fraco perante Bruxelas.

Outros casos ampliam a crise política: o ex-presidente Petro Poroshenko foi acusado de corrupção neste ano, e o prefeito de Odessa, Gennadii Trukhanov, perdeu a cidadania ucraniana após suspeitas de possuir passaporte russo.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/11/queda-de-ministro-da-justica-em-caso-de-corrupcao-de-r-527-milhoes-mina-governo-zelenski-na-ucrania.shtml

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