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Milei leva principais províncias, inclusive a de Buenos Aires, em golpe duro ao peronismo

Argentina: Milei leva Buenos Aires e principais províncias – 27/10/2025 – Mundo – Folha

Buenos Aires

Com um resultado que surpreendeu analistas, opositores e o próprio governode Javier Milei, a aliança governista A Liberdade Avança dominou, de norte a sul, o mapa da Argentina neste domingo (26), vencendo em 15 províncias, de um total de 24 colégios eleitorais.

O presidente da Argentina, Javier Milei, comemora os resultados eleitorais nas legislativas do último domingo – Luis Robayo/AFP

Com mais de 99% das mesas apuradas, o partido governista A Liberdade Avança obteve 40,6% do total de votos nacionais, enquanto o peronismo, pelo Força Pátria nacional e regional, conseguiu 31,7%.

Nas províncias, a maior surpresa se deu na fortaleza do peronismo, a província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país, onde há um mês e meio os peronistas tinham vencido por quase 14 pontos de diferença nas eleições legislativas locais.

Desta vez, os mileístas reverteram a derrota e ganharam por pouco mais de 0,5 ponto percentual de diferença. Com 98% das urnas apuradas, A Liberdade Avança obteve 3,605 milhões de votos (41,5%), ante 3,559 milhões de votos (40,9%) do Força Pátria.

Diego Santilli —que teve de substituir José Luis Espert como principal candidato a deputado, após o escolhido de Milei renunciar por recebimento de recursos de um empresário investigado por narcotráfico— venceu o peronista Jorge Taiana, que foi ministro da Defesa de 2021 a 2023, no governo de Alberto Fernández. Das 35 vagas na Câmara em disputa na província, o governismo levou 17, e o peronismo ficou com 16.

Em seu discurso de vitória, ainda na noite de domingo, Milei disse que “o novo Congresso será fundamental para garantir a mudança de rumo” e anunciou que fará reformas importantes.

Nesta segunda-feira (27), o presidente afirmou que “o pior já passou” e que está pronto para lançar a segunda etapa de seu governo, embora não tenha pressa para avançar em reformas e deve tomar medidas nesse sentido após a posse dos novos parlamentares, em 10 de dezembro. “Estávamos piores do que em 2001 e 2002, conseguimos a recomposição e o pior já passou”, disse o presidente ao canal de TV A24. “É uma consagração histórica. O kirchnerismo e a esquerda nos torpedearam. O resultado é muito forte, e temos um terço [da Câmara dos Deputados]”, acrescentou.

Quem é quem no peronismo?

Força política argentina mistura tendências da esquerda à direita e acumula brigas internas

  1. Cristina Kirchner, 72. É a figura de maior destaque do campo peronista e cumpre prisão domiciliar de seis anos desde o dia 18 de junho. Foi primeira-dama (2003-2007), presidente (2007-2015) e vice-presidente (2019-2023). Seus apoiadores destacam as políticas sociais e o crescimento em seus primeiros anos de governo, enquanto os críticos a acusam de irresponsabilidade fiscal e populismo. Sofreu uma tentativa de assassinato em 2022 Cristina Kirchner, 72. É a figura de maior destaque do campo peronista e cumpre prisão domiciliar de seis anos desde o dia 18 de junho. Foi primeira-dama (2003-2007), presidente (2007-2015) e vice-presidente (2019-2023). Seus apoiadores destacam as políticas sociais e o crescimento em seus primeiros anos de governo, enquanto os críticos a acusam de irresponsabilidade fiscal e populismo. Sofreu uma tentativa de assassinato em 2022
  2. Máximo Kirchner, filho de Cristina Fernández de Kirchner, que foi considerada culpada de fraude e proibida de exercer cargos públicos pela Suprema Corte do país, e que tenta herdar legado da ex-presidente Máximo Kirchner, filho de Cristina Fernández de Kirchner, que foi considerada culpada de fraude e proibida de exercer cargos públicos pela Suprema Corte do país, e que tenta herdar legado da ex-presidente
  3. Axel Kicillof, 53. É o peronista que ocupa o principal cargo no Executivo hoje: o de governador da província de Buenos Aires. Foi ministro da Economia de Cristina (2013-2015) e seu afilhado político, o que lhe trouxe popularidade, mas também o colocou em rota de colisão com o agrupamento político da ex-presidente, La Campora, que o acusa de tentar isolar a ex-mandatária Axel Kicillof, 53. É o peronista que ocupa o principal cargo no Executivo hoje: o de governador da província de Buenos Aires. Foi ministro da Economia de Cristina (2013-2015) e seu afilhado político, o que lhe trouxe popularidade, mas também o colocou em rota de colisão com o agrupamento político da ex-presidente, La Campora, que o acusa de tentar isolar a ex-mandatária
  4. Sergio Massa, 52. Foi ministro da Economia do impopular governo de Alberto Fernández e perdeu a disputa presidencial para Javier Milei, em 2023. Submergiu após a eleição, ainda assim, saiu com capital político e voltou à cena pública após o escândalo envolvendo o presidente e a promoção de uma criptomoeda Sergio Massa, 52. Foi ministro da Economia do impopular governo de Alberto Fernández e perdeu a disputa presidencial para Javier Milei, em 2023. Submergiu após a eleição, ainda assim, saiu com capital político e voltou à cena pública após o escândalo envolvendo o presidente e a promoção de uma criptomoeda
  5. Juan Schiaretti,75. Foi governador de Córdoba e candidato à Presidência em 2023, é um dos principais nomes do peronismo em sua província, que é um ponto de resistência ao kirchnerismo. É mais próximo do ex-presidente Mauricio Macri do que de Cristina Kirchner e seu grupo apoiou o governo em diferentes projetos Juan Schiaretti,75. Foi governador de Córdoba e candidato à Presidência em 2023, é um dos principais nomes do peronismo em sua província, que é um ponto de resistência ao kirchnerismo. É mais próximo do ex-presidente Mauricio Macri do que de Cristina Kirchner e seu grupo apoiou o governo em diferentes projetos
  6. Guillermo Moreno, 69. Ex-secretário de Comércio da Argentina nos governos Kirchner, representa uma corrente mais nacionalista e à direita do peronismo. Envolveu-se no escândalo de manipulação de dados do Indec (o equivalente ao IBGE na Argentina), que ele nega ter feito. Ganhou popularidade nas redes com o desgaste do governo Fernández Guillermo Moreno, 69. Ex-secretário de Comércio da Argentina nos governos Kirchner, representa uma corrente mais nacionalista e à direita do peronismo. Envolveu-se no escândalo de manipulação de dados do Indec (o equivalente ao IBGE na Argentina), que ele nega ter feito. Ganhou popularidade nas redes com o desgaste do governo Fernández
  7. Juan Grabois, 41. Ativista social e fundador do Movimento dos Trabalhadores Excluídos e da Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular, faz parte de uma ala mais à esquerda no peronismo. Começou a militar na crise de 2001, foi pré-candidato à Presidência em 2023 e é próximo de organizações de catadores de reciclados. Envolveu-se em controvérsias, como ocupações de terras Juan Grabois, 41. Ativista social e fundador do Movimento dos Trabalhadores Excluídos e da Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular, faz parte de uma ala mais à esquerda no peronismo. Começou a militar na crise de 2001, foi pré-candidato à Presidência em 2023 e é próximo de organizações de catadores de reciclados. Envolveu-se em controvérsias, como ocupações de terras
  8. Leandro Santoro, 49, é cientista político e deputado nacional desde 2021. De origem radical, é considerado uma das possibilidades de renovação do peronismo a nível nacional. Foi candidato a chefe de governo (o equivalente a prefeito) da cidade de Buenos Aires em 2023 e é um dos favoritos para a legislatura portenha na eleição de 2025 Leandro Santoro, 49, é cientista político e deputado nacional desde 2021. De origem radical, é considerado uma das possibilidades de renovação do peronismo a nível nacional. Foi candidato a chefe de governo (o equivalente a prefeito) da cidade de Buenos Aires em 2023 e é um dos favoritos para a legislatura portenha na eleição de 2025

A nova legislatura da Câmara passará a ter esta configuração: das 257 cadeiras, A Liberdade Avança ficará com um total de 93 e tende a contar com o apoio dos 14 deputados que o PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, já possuía. Com isso, a aliança govenrista ficará com 107 deputados, superando com folga a marca de um terço da Casa (86 cadeiras), garantindo que os vetos do presidente não serão derrubados. No entanto, ainda precisará negociar com outros partidos para chegar à maioria (129), mas a distância ficou menor.

Na oposição, o Força Pátria ficará com 96 deputados; o Províncias Unidas, com 17; a Frente de Esquerda, com 4; UCR e Democracia Sempre ficarão com 3 cada um; a Coalizão Cívica, com 2; Independentes de forças provinciais diversas somam 12; outros ficarão com 13.

No Senado, que tem 72 cadeiras, A Liberdade Avança ficará com 19; o PRO, com 5. O peronista Força Pátria será a maior força individual, com 26; a UCR terá 10; Províncias Unidas, 5. Os movimentos provinciais ficarão com 6; e há mais 1 senador independente.

O resultado reavivou as batalhas internas do peronismo, com o grupo que apoia a ex-presidente Cristina Kirchner apontando contra o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, por ter separado as eleições locais das nacionais e desmobilizado a militância no pleito do último domingo.

Além da província de Buenos Aires, o partido de Milei também prevaleceu na Cidade de Buenos Aires (que é um distrito federal) e em Chubut, Corrientes, Córdoba, Entre Ríos, Jujuy, Mendoza, Misiones, Neuquén, Río Negro, Salta, San Luis, Santa Fé e Terra do Fogo.

Enquanto isso, o Força Pátria e outros aliados dos peronistas triunfaram em Formosa, La Pampa, La Rioja, Catamarca, San Juan, Santa Cruz e Tucumán, províncias cuja maioria não está entre as principais.

Outros nomes ficaram com Santiago del Estero (Frente Cívico por Santiago, com 51,4%) e Corrientes (Vamos Corrientes, com 33,9%).

A surpresa se deu pelo fraco desempenho da terceira via formada por governadores com a proposta de romper com o confronto entre mileístas e peronistas, chamada de Províncias Unidas. Em nível nacional, eles conseguiram fazer apenas 17 deputados e 5 senadores.

Havia dúvidas se a decisão de Milei de não compor com os governadores do Províncias Unidas e de concorrer com candidatos próprios em todo o país poderia prejudicar a força governista. Duas províncias onde os mileístas venceram foram representativas para mostrar que a estratégia do presidente foi acertada.

Em Córdoba, onde o ultraliberal competia com o ex-governador Juan Schiaretti, a sigla A Liberdade Avança obteve 822,2 mil votos (42,4%), ante 550 mil do Províncias Unidas (28,3%). No fim, ficará com 5 das 9 vagas de deputado da província.

Em Santa Fé, o governador Maximiliano Pullaro ameaçava a estratégia libertária. O grupo de Milei fez 681,5 mil votos (40,7%), os peronistas tiveram 481 mil votos (28,7%) e o Províncias Unidas, 307 mil votos (18,3%). Das 9 vagas, Milei ficará com 4.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/10/milei-leva-principais-provincias-inclusive-a-de-buenos-aires-em-golpe-duro-ao-peronismo.shtml

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