Home / Mundo / Após golpe de Estado, comitê militar vai supervisionar instituições em Madagascar

Após golpe de Estado, comitê militar vai supervisionar instituições em Madagascar

São Paulo

Dias após comandar um golpe de Estado que depôs o presidente Andry Rajoelina, o coronel Michael Randrianirina afirmou nesta quarta-feira (15) que será empossado em breve como líder do Madagascar. Segundo o regime atualmente no poder, todo o processo e as instituições do país serão supervisionados por um comitê militar.

O movimento consolida o controle dos militares sobre a nação da África, mergulhada numa crise política após duas semanas de protestos e deserções de integrantes das forças de segurança.

Rajoelina, que sofreu impeachment no Parlamento depois de deixar o país no fim de semana, criticou a tomada de poder e se recusou a formalizar sua renúncia. Ele fugiu de Madagascar no domingo (12) a bordo de um avião militar francês, segundo autoridades ouvidas pela agência de notícia Reuters, e agora estaria em Dubai. Em comunicado, justificou a viagem com o argumento de que sua vida estava em risco.

Durante entrevista coletiva em Antananarivo, a capital de Madagascar, Randrianirina confirmou que militares assumiram o poder e dissolveram todas as instituições, com exceção da Assembleia Nacional. “Seremos empossados em breve”, disse ele. “Assumimos as responsabilidades.”

De acordo com duas autoridades próximas ao novo líder, a cerimônia de posse deverá ocorrer nos próximos dias. Segundo Randrianirina, a transição será conduzida por uma junta militar e deverá durar até dois anos, período em que um governo provisório será responsável por reestruturar as instituições e preparar novas eleições. Todo o processo será supervisionado por um comitê formado por oficiais do Exército e da polícia.

Ex-comandante da unidade de elite Capsat, que também desempenhou papel decisivo no golpe de 2009 que levou Rajoelina ao poder, Randrianirina rompeu com o antigo aliado na semana passada, após pedir aos soldados que não reprimissem manifestantes durante os protestos de rua.

Rajoelina, 51, o presidente destituído, é um ex-DJ e empresário que chegou ao poder em 2009 impulsionado por um movimento de jovens, tornando-se, aos 34 anos, um dos chefes de Estado com a menor idade em todo o mundo à época. No entanto, as promessas de combate à corrupção e de melhoria das condições de vida da população não se concretizaram.

Com cerca de 30 milhões de habitantes, Madagascar é um dos países mais pobres do mundo: três quartos da população vivem na pobreza. Segundo o Banco Mundial, o PIB per capita do país caiu 45% entre a independência, em 1960, e 2020.

Além da unidade Capsat, tanto a polícia quanto outras forças de segurança também romperam com Rajoelina nos últimos dias, o que acelerou o colapso do governo.

A saída de Rajoelina marcou a segunda vez em poucas semanas que jovens manifestantes derrubam um governo em meio a uma onda de revoltas da chamada geração Z pelo mundo. Em setembro, protestos massivos no Nepal começaram a partir da proibição das redes sociais pelo governo e, após violência nas ruas e dezenas de mortes, terminaram com a renúncia do então primeiro-ministro.

Em seguida, a ex-chefe da Suprema Corte do país Sushila Karki foi nomeada governante interina com apoio dos manifestantes. O presidente do Nepal, então, dissolveu o Parlamento e marcou eleições para março de 2026.

Com Reuters

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/10/apos-golpe-de-estado-comite-militar-vai-supervisionar-instituicoes-em-madagascar.shtml

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *