Por muito tempo o Xbox Game Pass pareceu um negócio bom demais para ser verdade. Agora, sabemos que ele era.
No último dia 1º, a Microsoft anunciou uma reformulação no seu serviço de jogos por assinatura. Como resultado, o plano Ultimate, único que dá acesso aos jogos da Xbox no lançamento, dobrará de preço no Brasil, indo de R$ 59,99 para R$ 119,90 por mês.
Pelo preço anterior, a assinatura do serviço se mostrava bastante tentadora para quem se interessasse em comprar um jogo no lançamento.
Estande do Xbox Game Pass na Paris Game Week, feira de games francesa – Claudia Greco – 5.nov.23/Reuters
A contratação valia quase como uma compra parcelada de um game com preço cheio (hoje, cerca de R$ 350). Após seis meses, quando o valor acumulado das mensalidades ultrapassassem o preço total do jogo, já era possível encontrar um novo grande lançamento para jogar.
Dessa forma, era possível igualar o custo anual do serviço com o de apenas dois jogos. Agora, para que o serviço continue a valer a pena financeiramente, o jogador precisaria comprar mais de quatro grandes lançamentos no ano.
Levando em conta os próximos lançamentos da Microsoft, a assinatura do serviço seria vantajosa se o jogador tiver o interesse de jogar, por exemplo, “Call of Duty: Black Ops 7”, “High on Life 2”, “Ninja Gaiden 4” e “The Outer Worlds 2” no lançamento.
O plano agora inclui outros serviços de assinatura, como Clube Fortnite e Ubisoft+ Classics —que se juntam ao EA Play, já presente anteriormente. O valor das duas assinaturas avulsas somadas (cerca de R$ 65 por mês) até cobre a diferença no preço, mas é difícil acreditar que esses serviços alternativos sejam um diferencial relevante para os assinantes.
O aumento também alcançou os níveis mais básicos do serviço, que contam com uma biblioteca limitada de títulos disponíveis. O plano Standard, agora chamado de Premium, foi de R$ 44,99 para R$ 59,90 por mês (aumento de 33%). Já o Core, rebatizado como Essential, subiu de R$ 34,99 para R$ 43,90 por mês (25% mais caro).
A principal mudança para esses planos é a inclusão do serviço de games na nuvem Xbox Cloud Gaming, que permite acessar jogos com gráficos de alta qualidade em computadores e dispositivos menos potentes, como celulares, tablets e smart TVs.
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Veja como jogar no Xbox Cloud Gaming

1. Para jogar na nuvem, é necessário ter uma assinatura ativa do plano Ultimate do Xbox Game Pass.

2. Conecte um controle ao Bluetooth de seu computador ou celular

3. Agora basta selecionar o título e começar a jogar pela nuvem

4. Estão disponíveis jogos de última geração, como “Halo Infinite”
Para jogar na nuvem, é necessário ter uma assinatura ativa do plano Ultimate do Xbox Game Pass.
Divulgação Mais
Mas há alguns detalhes para ficar atento. A Microsoft promete incluir seus principais lançamentos no catálogo do plano Premium em menos de um ano. Nas letras miúdas, porém, está escrito que a promessa não se aplica à série “Call of Duty”.
As mudanças no serviço, incluindo a subida nos preços, não se restringem ao Brasil —apesar de o aumento no país ter sido proporcionalmente maior do que em outros mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o plano Ultimate passou de US$ 19,99 para US$ 29,99 (aumento de 50%).
A escalada nos preços do serviço contrasta com declarações recentes da presidente da Xbox, Sarah Bond. Em entrevista ao site japonês Game Watch durante a Tokyo Game Show, a executiva disse que o Xbox Box Game Pass era viável financeiramente, tendo sido responsável por uma receita de US$ 5 bilhões no último ano fiscal.
Esse cálculo, porém, não contabiliza eventual perda de receita com a venda de jogos disponibilizados no serviço, algo que muitos analistas e desenvolvedores questionam.
A própria Microsoft dá sinais de que essa perda não é irrelevante. Iniciativas como a de lançar jogos de suas principais franquias no rival PlayStation, acabando com a política de exclusividade para a plataforma Xbox, são compreendidas como táticas para reduzir esse problema. O aumento de preço do Xbox Game Pass vai no mesmo sentido.

Veículo: Folha Uol











