Taiwan acusa China de criar arcabouço legal para invasão – 02/10/2025 – Mundo – Folha
Pequim quer enganar a comunidade internacional, diz Taipé
Documento da organização, de 1971, expulsou as delegações da ilha da Assembleia-Geral e de órgãos como OMS e Unesco
O Ministério de Relações Exteriores de Taiwan emitiu uma nota afirmando que a China está tentando criar um arcabouço legal para a invasão da ilha com base na Resolução 2758 da ONU.
As declarações de Taiwan são uma resposta a um documento de posicionamento publicado nesta semana por Pequim, no qual o gigante asiático afirma que a resolução citada “confirma solenemente e incorpora plenamente o princípio de uma só China”.
A campanha “Uma só China” afirma que Taiwan, formalmente chamado de República da China, faz parte do território da República Popular da China.
Manifestantes carregam bandeira de Taiwan em Nova York em dia de discurso da China na Assembleia-Geral da ONU – Bing Guan/Reuters
Segundo a nota de Taipé, o documento emitido pelo vizinho “é uma tentativa deliberada de enganar a comunidade internacional e alterar o status quo no Estreito de Taiwan, criando uma base legal para futuras agressões militares”.
A Resolução 2758 da ONU, de outubro de 1971, expulsou Taiwan do espaço das delegações na Assembleia-Geral e do Conselho de Segurança, assim como de outras instituições ligadas à organização, como a Unesco e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
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“[A resolução] decide restaurar todos os seus direitos à República Popular da China e reconhecer os representantes de seu governo como os únicos representantes legítimos da China nas Nações Unidas, e expulsar imediatamente os representantes de Chiang Kai-shek do lugar que ocupam de forma ilegal nas Nações Unidas e em todas as organizações a ela relacionadas”, diz o documento de Pequim, citando o líder de Taiwan na época.
A declaração de Taipé afirma que a resolução não a menciona como país, assim como não estabelece sua soberania. “Certamente não pode declarar Taiwan como parte da República Popular da China, nem autoriza legalmente a República Popular da China a representar Taiwan e seu povo nas Nações Unidas e em suas agências especializadas”, afirma.
O documento afirma ainda que a ONU tem sido subserviente à China “há muito tempo”, interpretando de forma incorreta a resolução para suprimir a participação de Taiwan e “tentar restringir o direito das nações de escolher livremente”.
“[Somente o governo democraticamente eleito de Taiwan pode representar os 23 milhões de habitantes](https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/08/ativistas-de-taiwan-acusam-politicos-de-maior-partido-da-ilha-de-facilitar-esforcos-de-unificacao-da-china.shtml) de Taiwan no sistema das Nações Unidas e nos mecanismos internacionais multilaterais”, conclui.
O regime chinês, por meio do Ministério de Relações Exteriores, declara que a resolução é válida e reafirma que existe uma só China no mundo e que Taiwan é uma inalienável parte do território. A pasta afirma que a resolução é um documento vivo, que estabelece as normas para preservar a ordem internacional.
Pequim tem subido o tom em relação às declarações contrárias à independência de Taiwan e a interferências externas no assunto, considerado exclusivamente doméstico pelas autoridades chinesas, à medida que as negociações sobre as tarifas impostas por Donald Trump avançam.
Há ainda chances de que o dirigente chinês, Xi Jinping, pressione o presidente americano para se opor formalmente à independência de Taiwan. Segundo o The Wall Street Journal, assessores chineses avaliam que o americano quer fechar logo um acordo econômico com Pequim e que, por isso, poderia estar disposto a negociar.
Uma mudança de posicionamento dos EUA em relação à ilha pode também indicar o fim do apoio militar americano a Taipé.
Nesta semana, no jantar de comemoração da fundação da República Popular da China, Xi reforçou a oposição à ilha e afirmou que Pequim deve se “opor resolutamente às atividades separatistas em prol da ‘independência de Taiwan’ e à interferência externa, e salvaguardar resolutamente a soberania e a integridade territorial da China”.
Veículo: Folha Uol











