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Tanques avançam na Cidade de Gaza, e bombardeios matam dezenas, dizem médicos palestinos

Cairo | Reuters

Forças de Israel continuaram com suasofensivas na Cidade de Gaza, neste domingo (21), em ações que mataram dezenas de pessoas e forçaram muitas outras a fugir, segundo autoridades de saúde locais.

A fuga ocorre enquanto tanques de Israel avançam cada vez mais sobre a cidade, a maior e mais densamente povoada da Faixa de Gaza.

Quase dois anos após o início da guerra, o governo de Binyamin Netanyahu descreve a Cidade de Gaza como o último bastião do Hamas, e o Exército israelense tem demolido prédios e casas residenciais que afirma estarem sendo usados pelo grupo terrorista durante o conflito.

Uma mulher grávida e seus dois filhos estavam entre os mortos neste domingo, segundo médicos palestinos. O Exército israelense não comentou o caso, mas divulgou comunicado dizendo que suas forças eliminaram vários terroristas.

Nas ruas da Cidade de Gaza, parentes vasculhavam os escombros de um dos edifícios atingidos, tentando recuperar seus pertences. “A mãe, o menino, a menina e o bebê em seu ventre. Encontramos todos mortos”, disse Mosallam Al-Hadad, sogro da mulher falecida, acrescentando que seu filho havia sido ferido no de forma grave ataque.

“Está em estado crítico. Levamos ele ao hospital, e sua perna foi amputada”, disse Al-Hadad à agência de notícias Reuters.

No sábado (19), Israel anunciou que suas forças haviam expandido suas operações na área da Cidade de Gaza, em ações executadas para localizar e apreender armas. Neste domingo, 31 pessoas foram mortas em bombardeios na região, de acordo com os médicos palestinos.

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Testemunhas disseram que tanques israelenses estavam avançando em direção ao oeste por passagens em Tel Al-Hawa, um subúrbio no sudeste.

O Exército israelense estima que mais de 450 mil pessoas deixaram a Cidade de Gaza desde o início de setembro. O Hamas contesta isso, dizendo que pouco menos de 300 mil saíram e que cerca de 900 mil pessoas permanecem na região.

No sul de Israel, sirenes de ataque aéreo soaram quando terroristas de Gaza dispararam dois foguetes, um dos quais foi interceptado e o outro caiu em um campo aberto, segundo o Exército. Não foram relatadas vítimas.

A ofensiva na Cidade de Gaza motivou novas críticas no exterior, levando alguns dos aliados ocidentais de Israel a anunciar que reconhecerão formalmente um Estado palestinoantes da reunião anual de líderes na Assembleia-Geral da ONU esta semana.

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Espera-se que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anuncie o reconhecimento do Estado palestino neste domingo, rompendo com uma política externa de longa data apesar da forte oposição de Israel e dadesaprovação dos Estados Unidos, o aliado mais próximo de Londres.

A ofensiva em Gaza também alarmou famílias dereféns israelenses ainda mantidos pelo Hamas no território.

Milhares se reuniram na noite de sábado em frente à residência oficial de Netanyahu em Jerusalém, pedindo que o premiê faça um acordo que encerre a guerra e traga os reféns de volta.

“Eu acuso o primeiro-ministro de nos conduzir durante dois anos por um caminho sem saída, rumo a uma guerra sem fim e abandonando nossos entes queridos. Por quê?”, disse Michel Illouz, cujo filho Guy foi sequestrado de um festival de música nos ataques do Hamas que desencadearam a guerra.

Os ataques de 7 de outubro de 2023 mataram 1.200 pessoas e outras 251 foram feitas reféns, segundo contagens israelenses.

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A campanha militar de Israel em resposta aos ataquesjá matou mais de 65 mil palestinos, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. Entretanto, o ex-comandante do Exército de Israel Herzi Halevi disse queo número de mortos ou feridos já supera 200 mil, cerca de 10% da população do território.

Além das mortes, a ofensiva desencadeou umacrise de fome no território, destruiu grande parte das edificações e obrigou a maior parte da população local a se deslocar, muitas vezes repetidamente.

Neste domingo, o Papa Leão 14 se manifestou contra o deslocamento forçado de civis de Gaza durante sua oração semanal do Angelus. “Junto com os pastores das igrejas na Terra Santa, repito que não há futuro baseado na violência, no exílio forçado e na vingança”, disse o pontífice.

A Terra Santa abrange partes do atual Israel, dos territórios palestinos ocupados, da Jordânia e do Egito, que são sagrados para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Em julho, Israel atacou a única igreja católica de Gaza em bombardeio que deixou três mortos.

“Os povos precisam de paz. Aqueles que verdadeiramente os amam trabalham pela paz”, acrescentou o papa.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2025/09/tanques-avancam-na-cidade-de-gaza-e-bombardeios-matam-dezenas-dizem-medicos-palestinos.shtml

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