Na última quinta-feira (18/09), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), trazendo os resultados da produção total de leite no Brasil em 2024. No último ano, o país produziu 35,7 bilhões de litros de leite, se consolidando como a maior produção de toda a série histórica, registrando avanço de 1,4% em relação a 2023, conforme mostra o gráfico a seguir.
Depois de três anos consecutivos como líder, a região Sul deixou de ser a mais produtiva, dando lugar ao Sudeste, que retomou a liderança com 12,03 bilhões de litros, equivalentes a 33,7% da produção nacional. A menor produção continuou sendo a da região Norte, responsável por apenas 4,7% do total. Além disso, apresentou retração de 4,5% em relação a 2023.
O Nordeste manteve a trajetória de maior crescimento percentual entre as regiões e, em 2024, avançou 4,5%, respondendo por 18% da produção nacional.
Destaques estaduais
Na análise por estados, não houve alterações na ordem dos maiores produtores:
- Minas Gerais segue na liderança, com 9,8 bilhões de litros (+3,8% frente a 2023);
- Paraná manteve a segunda posição, com 4,6 bilhões de litros (+1,7%);
- Rio Grande do Sul permaneceu em terceiro lugar, com 4,02 bilhões de litros, mas registrou retração de 2,2%, impactado pelas enchentes que marcaram o estado em 2024.
Municípios líderes
O município de Castro (PR) segue como o maior produtor, com 484 milhões de litros (+6,7%). Em seguida aparecem Carambeí (PR), com 293 milhões de litros (+8,6%), e Patos de Minas (MG), com 226 milhões de litros (+7,5%).
Rebanho
Para avaliar a produtividade, é importante observar o número de vacas ordenhadas, que caiu 3,4%, totalizando 15,13 milhões de cabeças. O Centro-Oeste foi a região com maior redução, com destaque para o Mato Grosso do Sul, que apresentou queda de 8,6% e detém hoje o menor rebanho do país (1,5 milhão de vacas).
O maior rebanho segue em Minas Gerais, com 3 milhões de cabeças, embora também tenha registrado recuo (-1,3%). O Pará foi o estado com a maior saída percentual de animais (-10,3%), enquanto o Amazonas liderou o crescimento relativo (+6,3%).
Produtividade
A produtividade nacional aumentou 4,9%, atingindo a média de 2.362 litros por vaca/ano — 111 litros a mais que em 2023, o maior índice da série histórica. Os estados mais produtivos foram Santa Catarina (+5,9%), Paraná (+6,8%) e Rio Grande do Sul (+2,3%). Já os menores índices vieram do Pará (-1,8%), Maranhão (+0,6%) e Amazonas (+9,8%).
Produção formal e informal
Segundo o IBGE, a produção informal, ou seja, leite produzido e comercializado fora do sistema de inspeção oficial, recuou 2,5% em 2024, mas ainda representa 29% do total nacional. A formalização avançou em todas as regiões, principalmente no Norte do Brasil, mas justificada pela queda na produção, porém o aumento na captação.
Valor da produção
O valor da produção de leite brasileira fechou 2024 em cerca de R$ 87,5 bilhões, crescimento de 9,4% frente ao ano anterior. O Sul segue como a região de maior valor absoluto, com R$ 30,4 bilhões, enquanto o Nordeste apresentou o maior crescimento relativo (+11,5%), alcançando R$ 14,4 bilhões no acumulado do ano.
Com a maior produção de leite da série histórica e o menor número de vacas ordenhadas, o Brasil mostra que está avançando para um sistema mais tecnificado, com rebanhos selecionados e produtores cada vez mais estratégicos. Esse movimento também se reflete no valor da produção, que cresceu de forma significativa e reforça a importância econômica do setor leiteiro como um dos principais da produção animal no país.
Diante das mudanças no perfil dos produtores e da evolução regional, o MAPLeite, desenvolvido pela MilkPoint Ventures e voltado para indústrias de insumos, surge como uma ferramenta estratégica para compreender transformações, identificar oportunidades e alinhar-se às tendências do mercado futuro. Atualizado anualmente, o produto reúne dados sobre número de produtores, tamanho de rebanhos e prevalência de sistemas confinados, oferecendo uma visão clara e detalhada das principais regiões produtoras de leite do Brasil.
Material escrito por: Vivian Batista Padilla
Graduanda em Zootecnia pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos – FZEA USP, atualmente estagiária de Inteligência de Mercado na MilkPoint
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado em com base em dados do IBGE
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