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Comissão judicial começa a avaliar liberdade condicional para irmãos Menéndez

Huw Griffith

Los Angeles, Estados Unidos | AFP

Os irmãos Lyle e Erik Menéndez, presos pelo assassinato dos pais em 1989, falarão a partir desta quinta-feira (21) para uma comissão judicial encarregada deavaliar seu pedido de liberdade condicional.

Eles foram condenados à prisão perpétua sem direito a condicional em caso que chocou os Estados Unidos na década de 1990. Seu julgamento foi um dos primeiros transmitidos pela televisão, e a história voltou às manchetes graças a uma série e a um documentário da Netflix no ano passado.

Para obterem a liberdade condicional, os irmãos —que alegaram abusos sexuais cometidos pelo pai como justificativa para o crime— precisam demonstrar arrependimento e provar que não representam perigo para a sociedade.

Erik e Lyle Menéndez conversam durante audiência em Los Angeles, em 1995 – Kim Kulish-2.fev.95/AFP

Após mais de três décadas atrás das grades e condenados à prisão perpétua sem possibilidade de redução de pena, eles conquistaram uma vitória judicial importante em maio, quandoa Justiça americana suavizou os termos da sentença.

Isso lhes deu direito de solicitar liberdade condicional, que agora deve ser decidida por uma comissão do Departamento de Serviços Correcionais e de Reabilitação da Califórnia.

Formada por dois ou três membros, a comissão os ouvirá por videoconferência a partir da prisão em San Diego. Erik, 54, será ouvido nesta quinta-feira (21), enquanto o caso de Lyle, de 57 anos, será examinado nesta sexta (22).

Mesmo que a liberdade seja recomendada, os irmãos Menéndez não deixarão a prisão imediatamente. O processo pode durar até quatro meses, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, terá a palavra final.

“Durante mais de 35 anos, eles demonstraram uma evolução constante. Assumiram toda a responsabilidade por seus atos”, diz um comunicado da Justice for Erik and Lyle Coalition, grupo de apoio que inclui membros da família.

A liberdade condicional dos irmãos é defendida por familiares e conta com o apoio de celebridades como Kim Kardashian.

O assassinato do poderoso empresário musical de origem cubana José Menéndez e de sua esposa, Kitty Menéndez, abalou os americanos em 1989.

Os irmãos, então com 21 e 18 anos, abriram fogo contra os pais enquanto eles viam televisão. Dispararam várias vezes e chegaram a recarregar a arma antes de matar a mãe.

Inicialmente, tentaram atribuir o brutal homicídio à máfia. No entanto, após a confissão de Erik ao terapeuta, as autoridades rapidamente os prenderam.

Em um julgamento muito midiático, a defesa alegou que o crime foi consequência de anos de abuso psicológico e sexual por parte de um pai violento e de uma mãe negligente. Já a Promotoria acusou os irmãos de planejar o duplo homicídio para herdar uma fortuna milionária.

Um primeiro júri não chegou a um veredicto unânime, mas o segundo julgamento terminou com a condenação à prisão perpétua.

O promotor de Los Angeles, Nathan Hochman, litiga contra a libertação sob o argumento de que os irmãos não demonstraram arrependimento pelo crime e de que não há fundamentos legais que justifiquem um novo julgamento ou mudança da sentença.

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