São Paulo
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou neste sábado (16) a suspensão de todos os vistos de visitante para indivíduos da Faixa de Gaza enquanto conduz “uma revisão completa do processo e dos procedimentos usados para emitir um pequeno número de vistos temporários médico-humanitários nos últimos dias”.
Os EUA emitiram mais de 3.800 vistos de visitante B1/B2, que permitem que estrangeiros busquem tratamento médico no país, para portadores do documento de viagem da Autoridade Palestina, de acordo com uma análise dos números mensais fornecidos no site do departamento. Destes, 640 foram emitidos em maio —último mês com dados atualizados.
Palestinos se reúnem ao lado de civis mortos em ataque israelense enquanto buscavam ajuda, segundo médicos, no hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza – Mahmoud Issa – 16.ago.25/Reuters
A decisão de suspender a concessão de vistos ocorre depois que Laura Loomer —ativista de extrema direita, conhecida por comentários racistas e homofóbicos, e aliada do presidente Donald Trump— disse nas redes sociais, nesta sexta, que “refugiados palestinos” supostamente entraram nos EUA neste mês, contrariando a narrativa oficial do governo.
A declaração de Loomer gerou indignação entre alguns republicanos. O deputado Chip Roy, do Texas, afirmou que investigaria o assunto e o deputado Randy Fine, da Flórida, fez coro à ativista e descreveu a questão como um “risco à segurança nacional”.
A nova decisão do governo Trump ainda faz eco a suspensão semelhante feita por parte da França, que pausou um programa de acolhimento de palestinos que fogem da guerra entre Israel e o Hamas. A ação francesa permanecerá em vigor enquanto as autoridades investigam uma estudante palestina de 25 anos que foi acusada de fazer comentários antissemitas online —ela tinha uma bolsa de estudos na cidade de Lille, no norte do país.
Ainda não está certo por quanto tempo a suspensão americana deve permanecer.
Em paralelo à decisão de Donald Trump, ainda neste sábado, a Defesa Civil da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, informou a morte de outros 36 palestinos, incluindo crianças, na mais recente ofensiva israelense à Cidade de Gaza.
O porta-voz do órgão, Mahmud Basal, declarou à agência de notícias AFP que um bairro da cidade tem sido submetido a bombardeios constantes por quase uma semana. “Estimamos que mais de 50 mil pessoas permanecem no bairro de Zeitun, a maioria sem água nem comida”, afirmou, acusando Israel de “limpeza étnica” nesse bairro e no vizinho Tal al-Hawa. “Nossas equipes não têm acesso aos feridos”, acrescentou.
Segundo Basal, os 22 palestinos atingidos morreram por disparos e ataques aéreos do Exército israelense no território. Nove deles teriam morrido perto de dois centros de distribuição de ajuda humanitária no sul e no norte do território.
Outros 6, entre eles 3 crianças, foram mortos em dois ataques contra o acampamento de refugiados de Bureij, região central da Faixa, e contra a região de al-Mawasi, no sul do território —local tratado como área humanitária e povoada por tendas improvisadas, para onde deslocados no território se dirigem.
O porta-voz voltou a alertar sobre as operações do Exército israelense na Cidade de Gaza. “Os residentes não têm onde se refugiar. A situação é catastrófica”, afirmou.
Israel declarou que se prepara para tomar o controle militar total da Cidade de Gaza e dos acampamentos de refugiados vizinhos com o objetivo declarado de derrotar o grupo terrorista Hamas e libertar os reféns sequestrados no ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra.
Com Reuters e AFP











